AFP PHOTO / GEORGES OURFALIAN
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ANÁLISE: Turcos e iranianos travam uma guerra regional na Síria

Ofensiva de Ancara contra os curdos de Afrin ocasiona novas alianças militares e pode intensificar ainda mais conflito no território sírio

Ishaan Tharoor, The Washington Post

23 Fevereiro 2018 | 05h00

A guerra na Síria está ainda mais confusa. Na terça-feira, milícias pró-Assad entraram em Afrin, enclave cercado pelos turcos. Unidades sírias agora ajudam facções curdas que controlam área próxima da fronteira turca, irritando Ancara. As batalhas em Afrin podem se transformar numa conflagração mais ampla. 

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O principal grupo armado curdo, o YPG, é visto na Turquia como agente direto do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado organização terrorista. Os EUA, porém, apoiam o YPG, desde que seus combatentes colaborem no combate ao Estado Islâmico (EI). 

A indecisão de Washington obrigou as milícias curdas a pedirem ajuda a Bashar Assad. “O governo sírio cumpriu com seu dever e enviou soldados para defender a fronteira”, afirmou Nouri Mahmoud, porta-voz do YPG. Por outro lado, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que lançará um pesado ataque a Afrin e descreveu a medida do governo sírio como “obra de terroristas”. 

O que estamos vendo é a Turquia e seus aliados rebeldes se preparando para lutar contra milícias de Assad ligadas ao Irã, que operam em conjunto com os curdos da Síria, que mantêm boas relações com os EUA, que se opõem a Assad e ao Irã. É uma confusão. 

Para os iranianos, a ação turca em Afrin não é bem-vinda. Fora dali, grupos islamistas rebeldes de Idlib combatem entre si e, ao mesmo tempo, se unem aos turcos contra Assad. A guerra aérea americana na Síria, contra o EI, também tem matado mercenários russos. O governo sírio, com apoio russo, continua atacando os rebeldes. E Israel, alarmado com a presença iraniana na Síria, bombardeou posições do Irã. 

A realidade é que a Turquia tem poucas opções. O antiamericanismo e o apoio dos EUA aos curdos colocaram americanos e turcos em pé de guerra. Washington também não tem saída. “A capacidade dos EUA de ditar os eventos numa Síria controlada por Assad é pequena”, diz Mona Yacoubian, do centro de estudos United States Institute of Peace, de Washington. 

No longo prazo, isso significa ter de lidar com um regime responsável pelo massacre de milhares de pessoas. Na terça-feira, a batalha de Afrin se intensificou quando o regime atacou Ghouta. Foram as 24 horas mais sangrentas da guerra síria, um conflito que ainda é capaz de terríveis crueldades.

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