Andrew Lichtenstein/EFE/EPA
Andrew Lichtenstein/EFE/EPA

Análise: Vacina não altera número de óbitos no curto prazo 

Se os EUA continuarem neste ritmo, até 1.º de janeiro teremos mais de 3,5 mil mortes por dia

Philip Bump*, The Washington Post

12 de dezembro de 2020 | 04h00

Em breve, os EUA começarão a vacinação em massa. O objetivo é ter um número grande de indivíduos imunes, para que o vírus não se espalhe facilmente, uma meta que levará meses para ser alcançada. Nesse ínterim, quantos americanos morrerão? Hoje, experimentamos mais mortes por covid do que em qualquer momento da pandemia – seja em razão de falhas individuais em adotar medidas de segurança ou por causa da inação do governo federal e dos Estados.

O número diário de mortes já excede a quantidade de americanos mortos nos ataques de 11 de setembro de 2001. Na quinta-feira, o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Robert Redfield, sugeriu que o número seguirá alto pelos próximos 60 ou 90 dias. A razão principal é que o número de infecções não foi contido – e o total de casos e de mortes estão relacionados. À medida que os casos aumentam, também aumentam as mortes, embora com atraso. 

É fácil identificar a ligação. Um aumento de 1,8% de casos já causa um crescimento no número de mortes algumas semanas depois. A defasagem é de cerca de 26 dias entre um período e outro. Ou seja, se os EUA continuarem neste ritmo, de 3 mil mortes diárias, até 1.º de janeiro teremos mais de 3,5 mil mortes por dia.

A Universidade de Washington tem uma projeção menos sombria e calcula que o número médio de mortes por dia permanecerá abaixo de 3,2 mil. Essa estimativa, porém, já não reflete o que os EUA estão vivendo. Mesmo se a taxa de novas infecções começar a diminuir imediatamente, a proporção entre novos casos e mortes significa que 360 mil americanos terão morrido até o ano-novo. A Universidade de Washington coloca o número total de mortes, no fim de janeiro, em 400 mil.

É importante ressaltar que muito do que está por vir já está posto, é inevitável. Combine isso com o fato de que a vacina será ministrada lentamente e temos um quadro de curto prazo desolador. “A realidade é que a aprovação da vacina nesta semana não vai causar nenhum impacto nos próximos 60 dias”, disse Redfield. 

* É JORNALISTA

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