Pedro Pardo/ AFP
Pedro Pardo/ AFP

Análise: Vacinas vão funcionar contra as variantes do coronavírus

Mutações do coronavírus que se espalham por vários países podem estar provocando alarme, mas especialistas em doenças infecciosas estão otimistas de que as novas variantes ainda são vulneráveis ao poderio das vacinas

* Joel Achenbach / Washington Post, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2020 | 05h00

Mutações do coronavírus que se espalham por vários países podem estar provocando alarme, mas especialistas em doenças infecciosas estão otimistas de que as novas variantes ainda são vulneráveis ao poderio das vacinas. Mesmo se o vírus sofresse mais mutações, dizem os especialistas, as vacinas poderiam ser rapidamente reprogramadas para permanecerem eficazes contra as novas variantes.

Esse ajuste nas vacinas poderia ser feito “em minutos”, disse Drew Weissman, professor de da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia e um dos inventores da tecnologia de RNA que alimenta duas vacinas. “É muito fácil”, disse.

As taxas alarmantes de infecção pela nova variante do coronavírus que surgiu no Reino Unido não devem incitar o pânico, dizem os cientistas. Não há nenhuma evidência de que essas mutações tenham tornado o vírus mais mortal.

“Quais são os dados? Onde estão as evidências para provocar pânico?”, disse Susan Weiss, virologista da Universidade da Pensilvânia que estudou coronavírus por quatro décadas. “Para mim, tudo isso é uma tempestade em um copo de água.” 

Ainda assim, vários cientistas importantes que rastreiam a situação disseram que as variantes parecem ser mais transmissíveis. Para a maioria dos especialistas, este coronavírus é um alvo móvel e precisa ser monitorado de perto, exigindo um investimento muito maior em testes e sequenciamento genômico. 

“É preciso lembrar que esse vírus invadiu a vida das pessoas em novembro do ano passado”, disse Weissman. “Foi a primeira vez que entrou em humanos. É um vírus novo. Você deve esperar o aparecimento de mutações que ajudarão o vírus a crescer melhor. Não sei quanto tempo vai demorar para o vírus descobrir como crescer melhor em humanos. Talvez anos, talvez décadas. Mas estará aí.”

 * É JORNALISTA E COLUNISTA DE CIÊNCIA 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.