Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Análise: Viagem ao Iraque põe em risco os interesses americanos na região 

Em meio às tensões, visita de Trump reforçou percepção de que os EUA se comportam como uma força de ocupação no país árabe

Rick Noack* / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2018 | 05h00

A viagem de Donald Trump ao Iraque pode ter agradado aos que há muito tempo pediam essa visita. Mas, fora da base de Al-Assad, em Bagdá, as reações foram negativas. Líderes iraquianos qualificaram a visita como uma violação da soberania do país. Em parte, o descontentamento tem a ver com a maneira como a Casa Branca organizou a visita.

Segundo o Washington Post, o premiê do Iraque se recusou a receber Trump, alegando que não havia sido informado com antecedência. Os dois conversaram pelo telefone, o que não amenizou as críticas dos iraquianos, que acusam os EUA de desrespeitarem o país. Para piorar, recentes ataques aéreos americanos contra cidades iraquianas foram duramente criticados. Esses bombardeios deixaram muitas vítimas civis e são usados pelos que fazem campanha pela expulsão do Exército americano. 

Em meio às tensões, a viagem de Trump reforçou a percepção de que os EUA se comportam como uma força de ocupação do Iraque. Em sua visita, Trump disse que manteria as tropas americanas no país, de onde poderiam atacar novamente a Síria, caso o Estado Islâmico ganhe força. Só que legalmente essa decisão não cabe a ele e os soldados só podem ficar no país se tiverem autorização do governo iraquiano. 

As negociações entre Iraque e EUA, porém, até agora não avançaram. A ausência de um acordo deixa o governo americano mais vulnerável às acusações de violação da soberania iraquiana e a visita de Trump mostrou que essa discrepância legal favorece aqueles que se opõem aos interesses da Casa Branca. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*É JORNALISTA

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