Análises preliminares descartam envenenamento de italiano

Os exames preliminares realizados no professor italiano Mario Scaramella, contato do ex-espião russo Alexander Litvinenko, não detectaram, até o momento, indícios de envenenamento radioativo, embora o professor continue sob observação médica.Scaramella, com quem Litvinenko teve um encontro no dia em que ficou doente, "passa bem", afirmou um porta-voz do University College Hospital, que disse que "até agora, as análises preliminares não mostram indícios de toxicidade radioativa".Scaramella foi internado na sexta-feira no centro médico, onde Litvinenko morreu em 23 de novembro, após ter sido detectado em seu corpo uma quantidade "significativa" de polônio 210, a mesma substância radioativa que causou a morte do ex-agente secreto.O professor italiano, especialista em espionagem e segurança, continuará sob observação médica, e espera-se que seja submetido a novas análises.Exames de contaminação por polônio 210 feitos na mulher do ex-agente também deram positivo, mas os níveis detectados não são suficientemente significativos para acarretar uma doença a curto prazo.Segundo a imprensa britânica, em seu encontro, Scaramella forneceu ao ex-espião nomes de pessoas que poderiam estar envolvidas no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, que Litvinenko estava investigando, e o alertou que poderia ser alvo de um grupo de ex-agentes do KGB.De acordo com o próprio Scaramella, apenas Litvinenko comeu no encontro, enquanto ele se limitou a beber uma garrafa de água.Apesar do resultado das análises, a polícia se reunirá neste sábado com médicos especialistas para determinar se a presença do polônio 210 no organismo de Scaramella ocorreu de forma acidental ou intencional. Segundo o tablóide britânico The Sun, Scaramella pode ter inalado a substância.A companhia aérea Easyjet confirmou neste sábado que o professor italiano viajou em um avião de sua frota de Nápoles para o aeroporto londrino de Stansted, em 31 de outubro, um dia antes de sua reunião com Litvinenko. O professor italiano retornou para Nápoles em 3 de novembro, em outro vôo da Easyjet. A companhia assegurou estar em contato com as autoridades correspondentes, expressando sua disposição em "cooperar integralmente" com as investigações.A Agência de Proteção da Saúde do Reino Unido afirmou que esses vôos não representam um motivo de preocupação para a saúde pública. Além disso, os três aviões da British Airways analisados dentro da investigação da morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko foram liberados para voltar a voar.Os três aviões fizeram 221 vôos entre 25 de outubro e 29 de novembro, período investigado pela polícia. Dentre esses vôos, aproximadamente um quarto fez o percurso entre Londres e Moscou.AutópsiaNa sexta-feira, três patologistas forenses fizeram a autópsia do cadáver de Litvinenko, embora os resultados só devam ser divulgados dentro de alguns dias.O jornal inglês The Guardian revelou neste sábado que a quantidade de polônio 210 encontrada no corpo do ex-espião seria suficiente para matá-lo cem vezes, e que sua aquisição teria custado cerca de 20 milhões de libras (30 milhões de euros).Numa carta divulgada após sua morte, o ex-agente secreto acusou o presidente russo Vladimir Putin de estar envolvido no crime. Fontes dos serviços de segurança consultadas pelo The Times dizem, no entanto, que a morte de Litvinenko pode estar relacionada às atividades profissionais do ex-espião, que aparentemente trabalhava com empresários russos envolvidos no lucrativo setor energético, e em negócios de segurança particular.

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