Evan Vucci/ AP
Evan Vucci/ AP

Analistas afirmam que pesquisas eleitorais são precisas em cerca de 90% dos casos

Fracasso dos pesquisadores em prever a vitória de Trump nas eleições presidenciais americanas levou a diversas críticas aos modelos de previsões

O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2017 | 14h53

WASHINGTON - As pesquisas políticas em todo o mundo são frequentemente precisas, apesar da vitória surpreendente do presidente dos EUA, Donald Trump, o qual havia sido amplamente anunciado pelas sondagens de opinião como perdedor das eleições de 2016 para a democrata Hillary Clinton, afirmaram pesquisadores na quinta-feira.

Segundo uma análise da Universidade de Houston publicada na revista científica Science, as pesquisas de intenção de voto preveem corretamente o resultado das eleições em nove de cada dez vezes.

"O estudo sugere que os dados de pesquisas podem ser usados não apenas nos EUA, mas globalmente, para prever os resultados das eleições", defendeu o principal autor do estudo, Ryan Kennedy, cientista político do Centro de Estudos Internacionais e Comparativos da Universidade de Houston. "Seria um erro abandonar esse empreendimento. O futuro realmente é tentar fazer melhores previsões quantitativas", acrescentou.

Para uma parte do estudo, os pesquisadores usaram dados de pesquisas realizadas nas semanas anteriores às eleições na América Latina em 2013 e 2014, que "previram corretamente os vencedores em 10 de 11 eleições, ou em 90,9% das vezes", disse o estudo. Uma segunda parte analisou previsões de pesquisas para mais de 500 eleições em 86 países em 2013, com uma taxa de acerto de 80,5%.

"As pessoas normalmente não achariam isso surpreendente", comentou Kennedy. "Onde havia uma sondagem, esta era razoavelmente boa em prever resultados, mesmo em lugares onde você não pensaria que se poderia ter pesquisas precisas", insistiu.

No caso da eleição presidencial americana, Hillary ganhou no voto popular, com uma vantagem de quase três milhões em relação a Trump. O republicano venceu, porém, no Colégio Eleitoral, com vitórias em Estados-chave que foram suficientes para garantir sua chegada à Casa Branca.

O fracasso dos modelos de pesquisa mais sofisticados em prever a vitória de Trump no Colégio Eleitoral "levou a uma nova onda de críticas dos métodos quantitativos de previsão de eleições", destaca o estudo.

Os pesquisadores explicam, contudo, que é preciso ter em mente que as pesquisas não são infalíveis. "Uma previsão que coloca a probabilidade de um resultado em 80% estará errada 20% das vezes", completa o estudo.

Kennedy lembrou que ele e seus colaboradores previram uma chance de 84% de vitória para Hillary. "Isso significava uma chance de 16% de uma vitória de Trump", afirmou ele. “Improvável, mas ainda possível.” / AFP

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