Analistas creem que ataque tem raiz política

Especialista diz que indícios apontam para ação semelhante à de Oklahoma, em 1995

Reuters, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

Após o mortífero atentado a bomba em Oslo e o ataque a tiros ocorrido num comício político em uma ilha na tranquila Noruega, especialistas em segurança passaram a questionar que movimento terrorista poderia atacar um país com esse perfil. Segundo Jakub Godzimirsk, pesquisador sênior do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais, o ataque a uma reunião do Partido Trabalhista torna mais remota a hipótese de uma ação de radicais islâmicos.

"O ataque ao comício sugere que há algo mais. Se terroristas islâmicos quisessem atacar, o alvo seria um shopping em vez de uma ilha remota", afirma Godzimirski. "O ataque tem mais a ver com o de Oklahoma City do que com uma ação de radicais muçulmanos".

O atentado de Oklahoma foi praticado pelo americano Timothy McVeigh em 19 de abril de 1995. Ele explodiu em frente de um edifício federal um caminhão que continha cerca de 2.300 quilos de explosivos caseiros. O atentado deixou 168 mortos e mais de 500 feridos.

Violência e ameaças já chegaram a outros países nórdicos: um fracassado ataque a bomba ocorreu em dezembro na capital sueca, Estocolmo, e o terrorista foi morto. A Dinamarca recebeu repetidas ameaças após um jornal publicar caricaturas do profeta Maomé no fim de 2005, enfurecendo muçulmanos.Suspeita inicial. A hipótese de terrorismo islâmico foi a primeira cogitada porque a Noruega, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já foi alvo de ameaças - mas nunca de ataques - por causa de seu envolvimento nos conflitos no Afeganistão e na Líbia.

Outra razão para a suspeita inicial é que os atentados ocorreram pouco mais de um ano depois de três homens terem sido detidos por suspeita de ligação com a Al-Qaeda e por planejar ataques na Noruega. Outro fator que levou a apostas em um ataque islâmico é o fato de a Noruega ter posto em prisão domiciliar o militante islâmico iraquiano curdo mulá Krekar, que foi líder do grupo guerrilheiro Ansar al-Islam. Mas não há provas de que a Al-Qaeda se importaria o suficiente com Krekar a ponto de buscar vingança.

Alvos políticos. Algumas características dos ataques de ontem têm afastado especialistas de uma ação de radicais islâmicos. "Certos elementos da explosão em Oslo não são compatíveis com ataques de grupos jihadistas. Principalmente a época da ação, pois a maioria dos noruegueses está fora da cidade, em feriados e o centro administrativo de Oslo está relativamente calmo. Isso quer dizer que os autores não queriam atingir o maior número de pessoas possível. Isso faz crescer a possibilidade de a extrema-direita estar envolvida", afirma Lilit Gevorgyan, da consultoria IHS Global Insight.

Segundo outra consultoria, Exclusive Analysis, não são conhecidos até o momento na Noruega grupos com a capacidade de preparar atentados com carros-bomba. Nos últimos anos, a maior parte dos movimentos de extrema-direita foi desmantelada pela polícia. Isso fortaleceria a hipótese de um só autor ou de alguns remanescentes de um grupo maior desarticulado estarem envolvidos.

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