KCNA via EFE/EPA
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Analistas discutem consequências geopolíticas ao observar perda de peso de Kim Jong-un

Após quase um mês sem aparições públicas, líder norte-coreano ressurgiu visivelmente mais magro na mídia estatal

Michael E. Miller, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 05h00

WASHINGTON - Agências estrangeiras de inteligência há tempos se debruçam sobre as poucas informações vindas da Coreia do Norte, que fechou completamente suas fronteiras em decorrência da pandemia de covid-19. Observadores que de longe acompanham Kim Jong-un perceberam que sua cintura parece estar mais magra, e muito acreditam que isso significa algo  – resta saber o quê.

Se Kim simplesmente emagreceu para ficar mais saudável, isso provavelmente melhora sua posição, afirmou o  professor de ciências políticas do MIT, Vipin Narang, ao NK News, site americano especializado na Coreia do Norte. "Fornece mais previsibilidade, talvez para países como o Japão, a Coreia do Sul e os EUA, que podem ter maior confiança de que ele vai comandar o show", opinou.

Mas a perda repentina de peso também pode significar um problema de saúde. "Se for verdade, então a disputa pela sucessão provavelmente já está acontecendo nos bastidores, e essa volatilidade pode significar problemas para o mundo exterior”, disse Narang.

A NK News chegou ao ponto de comparar imagens ampliadas do pulso de Kim nos últimos sete meses. Em uma foto de novembro, o relógio IWC Portofino Automatic do líder norte-coreano, cujo valor estimado é US$ 12 mil, parecia caber confortavelmente em seu pulso. Porém, fotos mais recentes mostram Kim usando seu relógio com a pulseira mais frouxa.

"É ridículo que as pessoas estejam analisando o quão solto seu relógio de pulso possa estar”, afirma o ex-chefe do escritório de Pyongyang da agência Associated Press, Jean H. Lee.  “No entanto, ao olhar as fotos lado a lado, parece que ele perdeu algum peso. E há motivo real para preocupação: seu pai e seu avô morreram de ataques cardíacos”, diz.

A própria ascensão de Kim Jong-un, em 2011, foi envolvida por mistério. As autoridades dos Estados Unidos ficaram dois dias sem saber que seu pai havia morrido, até o anúncio oficial da Coreia do Norte. 

Quando as imagens de Kim Jong-un não estão disponíveis, analistas e detetives recorrem às fotos de satélite em busca de sinais como seus aviões, carreadas, trens e barcos.

“Em um país como a Coreia do Norte, não há alarde quando se trata de instalações de luxo”, afirma Colin Zwirko, que faz parte do serviço especializado de notícias e análises NK Pro.  “Essas são apenas as instalações da família Kim. Não existem outras pessoas que poderiam estar curtindo festas em barcos ou ter mansões em lugares remotos”, diz.

Embora esse tipo de análise às vezes pareça absurda, é um sinal da escassez de informação em relação à Coreia do Norte, afirma  Jean H. Lee. “Eles mantêm um controle tão forte sobre o que realmente acontece dentro do país, que descobrir se algo está errado acontece meio que de forma aleatória. É por isso que observamos essas ausências ou mudanças com muita atenção”, diz.

As tensões entre Pyongyang e os Estados Unidos permanecem elevadas: o presidente americano Joe Biden chamou o programa nuclear de Kim de "séria ameaça à segurança da América e do mundo" e prometeu responder por meio de "diplomacia e forte dissuasão" durante discurso recente numa sessão conjunta do Congresso estadunidense.

A Coreia do Norte respondeu. "Os comentários de Biden foram 'intoleráveis' e refletiram a 'história usual' dos Estados Unidos", disse Kwon Jong Gun, chefe do Departamento de Assuntos dos Estados Unidos no Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte.

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