Analistas minimizam efeito de debates na eleição americana

Para especialistas, bom desempenho de Romney não deve reverter sua desvantagem nas pesquisas eleitorais

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / DENVER, EUA, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2012 | 03h04

A posição defensiva do presidente americano, Barack Obama, no debate de quarta-feira foi atribuída por analistas a um comportamento "mais presidencial". Além disso, destacam, é cedo para saber se o resultado do debate será convertido em ganhos ou perdas eleitorais.

"Obama foi ponderado e polido, de forma estudada, e por alguma razão não quis desafiar (Mitt) Romney em suas vulnerabilidades, suas declarações inverossímeis e em suas mudanças de posição", resumiu o analista Thomas Mann, da Brookings Institution. "Romney foi muito assertivo e conseguiu capturar a atenção da imprensa e de seus aliados de partido", completou.

Assim como Mann, o analista político conservador Michael Barone não está seguro das chances de o desempenho de Romney transformar-se em ganhos na próxima rodada de pesquisas eleitorais. Barone, entretanto, afirmou nunca ter visto um candidato ser considerado vitorioso em um debate com 40 pontos porcentuais na frente do opositor. Nas disputas anteriores, a diferença não passou de 10 pontos.

Pesquisa da rede de televisão CNN mostrou que 65% dos espectadores consideraram melhor o desempenho do republicano. Apenas 27% viram Obama como o vencedor. David Axelrod, estrategista da campanha de reeleição do presidente, afirmou que a boa performance de Romney não será, necessariamente, transformada em apoio.

Segundo o diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Denver, Seth Market, o bom desempenho de um candidato em um debate pode resultar em ganhos pequenos, de 3 a 4 pontos porcentuais. Em uma eleição ainda indefinida, essa parcela pode fazer diferença.

Os analistas acreditam que Obama virá mais agressivo e mais bem preparado aos próximos dois debates. Segundo Axelrod, o presidente optou por falar aos americanos, na noite de quarta-feira, em vez de confrontar-se com Romney. "Vamos dar uma boa olhada nisso e fazer alguns ajustes sobre como usar o nosso tempo", afirmou, referindo-se aos 32 dias que restam até a eleição. "O presidente está muito ansioso pelo próximo debate."

Para Barone, o desempenho do presidente refletiu o ambiente no qual ele está mergulhado no seu dia adia, onde não há espaço para críticas às suas ideias e decisões. Suas expressões faciais durante o debate, afirmou o analista, eram iguais às dos momentos em que fora contrariado por deputados republicanos. Obama ainda foi prejudicado pelo uso constante de teleprompters em seus discursos, incluindo os 200 eventos para angariar fundos para sua campanha. Romney costuma falar sem essa ajuda.

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