Analistas prevêem instabilidade para 2003

O ano de 2003 deverá ser marcado por um cenário internacional extremamente instável, alertam especialistas britânicos em assuntos militares e geopolíticos. Além de um cada vez mais provável conflito militar no Iraque já no início do próximo ano, eles apontaram a Coréia do Norte como um outro foco potencial de volatilidade. A "guerra contra o terrorismo", liderada pelo presidente norte-americano Geoge W. Bush, poderá ser abalada por novos ataques contra alvos civis nos Estados Unidos e seus aliados em outras regiões do mundo. Também não há sinais de uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos e um eventual ataque militar contra o Iraque poderá complicar ainda mais a situação no Oriente Médio. Por fim, o risco do Afeganistão tornar-se novamente um palco de guerra vai depender da permanência no país de uma vigorosa força de paz internacional liderada pela Otan. Para o professor de assuntos de defesa do King´s College de Londres, Malcolm Davis, um ataque militar contra o Iraque em 2003 é praticamente certo. "A missão de inspeção do Conselho de Segurança da ONU deverá fracassar no seu objetivo de localizar armas de destruição de massa no Iraque, mas já está claro quer isso não impedirá um ataque contra Saddam Hussein", disse Davis. "O fator chave que não vem sendo ainda muito avaliado é se Saddam irá ordenar o uso de armas de destruição de massa e qual será a resposta dos Estados Unidos ou de Israel". Para Davis, o emprego de armas de destruição de massa num conflito no Iraque "é muito elevado", inclusive artefatos nucleares. "A possibilidade de o conflito se alastrar na região vai depender da sua duração mas, acima de tudo, de qual será a resposta de Israel caso o país seja atacado por Saddam Hussein", disse. "Se Israel retaliar, e dependendo de como isso acontecer, o efeito nos países árabes poderá ser explosivo". O acadêmico salientou que aqueles que falam numa possível "terceira guerra mundial" podem não estar exagerando. "Podemos ter um conflito que se espalha gradualmente, atraindo cada vez mais países", disse. Mais cauteloso, o professor Timothy Garden, do Centre for Defence Studies, acredita que a coalizão militar liderada pelos EUA deverá obter sucesso caso decida atacar o Iraque. "A questão é qual será a reação causada por Saddam Hussein, quanto tempo isso vai levar e qual será o regime que governará o Iraque no futuro", disse. Segundo ele, é impossível prever qual será o comportamento dos preços do petróleo caso o Iraque seja atacado. "Ando vendo todos os tipos de previsões, mas a verdade é que ninguém sabe o que pode acontecer", afirmou. "E se Saddam destruir a infra-estrutura do Iraque? E se ele decidir usar armas de destruição de massa contra o Kuait, afetando a produção de petróleo? Isso, ninguém sabe." No longo prazo, os analistas consideram a Coréia do Norte como um problema ainda mais complexo que o Iraque. "O país está construindo armas nucleares, tem mísseis de longo alcance com capacidade de atacar diretamente o Japão, Coréia do Sul e alvos norte-americanos", disse Davis. "Além disso, o governo norte-coreano, caso se sinta ameaçado, poderá começar a exportar suas armas de destruição em massa, acentuando o clima de insegurança internacional."

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