AFP / Andrew CABALLERO-REYNOLDS
AFP / Andrew CABALLERO-REYNOLDS

Analistas traçam paralelo de marcha contra armas nos EUA com protestos históricos

Especialistas comparam marcha com manifestações contra Guerra do Vietnã e pelos direitos civis nos EUA, nos anos 60

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

24 Março 2018 | 16h45

WASHINGTON - Ainda é cedo para avaliar o impacto que o movimento contra armas iniciado por estudantes nos EUA terá, mas especialistas veem paralelo entre seu grau de mobilização e a força moral de seus argumentos com os protestos contra a Guerra do Vietnã e pelos direitos civis que chacoalharam o país nos anos 60.

As ações de cinco décadas atrás levaram ao fim da segregação racial institucionalizada e aceleraram a saída de tropas americanas do conflito na Ásia. A dúvida agora é se as manifestações estudantis levarão a mudanças significativas na legislação sobre comércio e porte de armas nos EUA.

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“Nos anos 60, vimos movimentos que capturaram a paixão das pessoas. Agora, vemos o mesmo na mobilização dos estudantes”, disse Lata Nott, diretora do Centro da Primeira Emenda do Newseum Institute. Em sua opinião, essa paixão é que poderá fazer a diferença nas eleições legislativas de novembro e nas gerais, que ocorrerão em 2020.

Hoje, os defensores do porte irrestrito de armas ligados à Associação Nacional do Rifle estão engajados de maneira intensa na defesa de suas posições, que define suas escolhas nas eleições. Nott acredita que o movimento dos jovens criou um grupo apaixonado do outro lado do debate, que passará a influenciar o resultado das urnas.

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“Pesquisas mostram que há mais pessoas a favor de controle de armas do que contra. Mas, em geral, os que são contra atuam de maneira mais apaixonada do que os que estão do outro lado. Eles votam em razão de um único tópico. Isso pode mudar agora”, avaliou.

Especialista na história dos direitos civis da Universidade Duke, o professor William Chafe vê paralelos entre a mobilização dos estudantes e a Marcha em Washington, liderada por Martin Luther King Jr., em 1963. “É uma demonstração de convicção moral que encontrará eco em muitas pessoas.” 

 

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