Analistas vêem mais crescimento com vitória de Sarkozy

A França tem mais possibilidade de adotar reformas que incentivem seu crescimento caso o candidato de direita Nicolas Sarkozy derrote a socialista Ségolène Royal no segundo turno de 6 de maio, segundo analistas. Embora ambos critiquem duramente a manutenção de um euro forte, os dois primeiros colocados na votação de domingo representam uma típica escolha entre esquerda e direita. Sarkozy quer permitir que as pessoas trabalhem mais do que 35 horas semanais e promete reduzir impostos e taxas sociais, isentar o pagamento de horas-extras e incentivar um contrato trabalhista único. "As propostas de Sarkozy para o mercado de trabalho são muito positivas e seriam boas para empregos, empresas e crescimento", disse Mathieu Verougstraete, economista do ING em Bruxelas. "O que não gosto nas idéias de Ségolène é que ela está focada no lado da demanda, mesmo que o consumo sozinho não seja um problema para a França. O verdadeiro problema para a França são as exportações, então o que é preciso é um foco na competitividade das empresas." Alguns analistas dizem que Royal vai moderar seu discurso esquerdista, pois precisa dos votos que no primeiro turno foram para o centrista François Bayrou. Para Dominique Barbet, economista-sênior do BNP Paribas em Paris, Royal não deve implementar todo o seu programa caso seja eleita, mas acrescentou que os mercados financeiros não sabem com certeza o que seria deixado de lado. Por causa disso, os analistas tendem a apostar mais em Sarkozy como perspectiva de crescimento. "Sua plataforma é um coerente programa reformista pró-mercado, o que deve reforçar o potencial de crescimento, enquanto as propostas de Ségolène, em particular um grande aumento no salário mínimo, iriam prejudicar a competitividade da França", disse Eric Chaney, economista do Morgan Stanley. PropostasA candidata socialista promete elevar o salário mínimo para 1.500 euros mensais dentro de cinco anos e abolir o CNE (contrato nacional de emprego), que facilita a demissão e contratação por micro-empresas. Guillaume Menuet, da Merrill Lynch em Londres, acha que alguns setores de acionistas se beneficiariam em curto prazo com uma vitória de Ségolène, mas que há outras preocupações maiores. "Ségolène pode se provar positiva para as ações de (empresas de) consumo, por causa do impulso de curto prazo que seus aumentos salariais poderiam dar aos gastos ao consumo, mas haveria outros problemas em longo prazo", afirmou Menuet. "Se ela aplicar o tratamento fiscal corporativo diferenciado que sugeriu, isso pode reduzir a atração que o país exerce como destino de investimentos estrangeiros diretos, por exemplo. Sarkozy está pelas reformas pelo lado da oferta, o que os mercados querem ver." Ségolène diz que pretende taxar mais as empresas por seus dividendos e menos pelos lucros reinvestidos. Ela também quer mudar o tratamento fiscal dado a opções de ações e condicionar a ajuda pública a empresas a promessas de que elas não vão demitir na hora em que conseguirem lucros substanciais. A área em que há menos diferença entre ambos os candidatos é a respeito dos déficits públicos. "Sarkozy prometeu reduzir os gastos e cortar impostos, enquanto Ségolène quer mais gastos em serviços públicos, e eles vão continuar se diferenciando por isso. Mas o impacto líquido sobre o déficit orçamentário é provavelmente o mesmo", disse Barbet, do BNP.

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