Eduardo Munoz Alvarez/Getty Images/AFP
Eduardo Munoz Alvarez/Getty Images/AFP

Andrew Cuomo, um governador à frente da luta contra o coronavírus nos EUA

Imagem e discurso de nova-iorquino contrastam ao extremo com os do presidente Donald Trump, criticado por sua comunicação imprecisa e até mesmo enganosa e sua falta de empatia

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 03h00

Até agora ele era uma figura política local, mas sua energia e pedagogia fizeram do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, o político americano mais influente na batalha contra o coronavírus nos Estados Unidos, à frente de Donald Trump.

Há 10 dias Cuomo está em todas as frentes, buscando mais máscaras, testes, leitos de hospital ou enfermeiros e médicos, explorando compras no setor privado ou pedindo ajuda ao exército.

Com sua mandíbula quadrada e seu olhar severo, Andrew Cuomo, de 62 anos, toma a iniciativa utilizando plenamente os poderes executivos de que desfruta como governador de Nova York, o estado mais afetado pelo vírus com quase 26 mil casos e pelo menos 210 mortes.

Colocou prisioneiros para fabricar álcool em gel, fechou todos os teatros da Broadway desde 12 de março, depois bares e restaurantes e na sexta-feira decretou o fim de todas as atividades não essenciais e proibiu todas as reuniões de pessoas.

Cuomo "passa por um momento como o que passou (Rudy) Giuliani após o 11 de setembro (...) Se tornou o governador dos Estados Unidos", comentou Doug Muzzio, professor de ciência política da Universidade Baruch de Nova York.

Sua imagem e seu discurso contrastam ao extremo com os do presidente Donald Trump, criticado por sua comunicação imprecisa e até mesmo enganosa e sua falta de empatia.

"Chefe duro"

Em tempos normais, não havia unanimidade sobre Cuomo. Seu gosto pelas manobras políticas e seu autoritarismo espantaram a muitos.

Sua estratégia para evitar o processo institucional em 2018, a fim de negociar secretamente a instalação da segunda sede da Amazon em Nova York, escandalizou a opinião pública. O plano não seguiu em frente.

"Fará tudo o que esteja legalmente em seu poder para alcançar seus objetivos", opinou Muzzio. 

"É um chefe duro, raramente quente com seus subalternos", afirmou Michael Shnayerson, autor da biografia não autorizada de Cuomo The Contender. "Mas dê a ele uma crise e se transforma em um supergovernador!".

Somente um saldo humano limitado após a crise do coronavírus no estado de Nova York pode validar a estratégia de Cuomo.

Em caso de sucesso, pode servir de trampolim para uma candidatura presidencial, um caminho que Cuomo explorou nas duas últimas eleições mas que finalmente renunciou.

"Agora que temos Bernie (Sanders) e (Joseph) Biden (como candidatos às internas democratas para as presidenciais), observem sua idade: apenas 62 anos", destacou Shnayerson. "Em quatro anos, terá somente 66. Essa história continua". /AFP

 

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