Anestesistas se negam a participar de execução

A execução do hispânico Michael Morales, que estava prevista para às 0h01 desta terça-feira (horário local), foi adiada depois que os dois anestesistas designados para acompanhar o processo negaram sua participação alegando razões de ética médica, informou o jornal Los Angeles Times. Os anestesistas se defenderam dizendo que "qualquer intervenção médica no procedimento de uma execução vai contra a ética e o juramento de Hipócrates". Uma passagem do juramento diz que o médico deve "aplicar os tratamentos para ajudar os doentes conforme sua habilidade e sua capacidade, e jamais usá-los para causar dano ou malefício."Os médicos se negaram a cumprir a ordem do juiz Jeremy Fogel do tribunal federal do distrito, que previa a possível intervenção dos anestesistas caso o réu sentisse dor ou recuperasse a consciência durante o processo de execução.A ordem do juiz obriga a que pelo menos um anestesista esteja presente na câmara de execuções para comprovar que o réu está inconsciente antes que a mistura mortal faça efeito.Após a desistência dos anestesistas, o diretor da prisão de San Quentin, Steven Ornoski, decidiu que a execução deveria ser adiada para às 19h30. Uma injeção de pentotal sódico, um poderoso barbitúrico, seria usada para anestesiar Morales antes da aplicação de uma injeção letal. Com o barbitúrico, a execução poderá durar mais de 45 minutos. Através do procedimento normal, o condenado morre em cerca de 11 minutos.A execução já tinha sido adiada duas vezes durante a madruga de terça-feira. Pouco antes da hora prevista, as autoridades da prisão anunciaram que atrasariam a execução em pelo menos uma hora para assegurar cumprimento do requerimento do juiz federal.Depois de adiar a execução pela primeira vez, as autoridades penitenciárias anunciaram que a atrasariam ainda mais por causa da pressão dos advogados de Morales, que entraram com um recurso na corte de San José pedindo a suspensão da execução. O recurso foi negado.A ordem de execução tem uma vigência de apenas 24 horas, portanto, se o problema dos anestesistas não for solucionado neste prazo, uma nova ordem de execução deverá ser pedida, processo que pode demorar até dois meses.Se a execução for realizada, Morales, de 46 anos, se tornará o primeiro hispânico e o 14º réu a ser executado desde a restauração da pena de morte na Califórnia, em 1978. O réu foi condenado pelo estupro e assassinato em 1981 de Terri Winchell, então com 17 anos. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, confirmou na segunda-feira à noite sua decisão de negar clemência ao réu, que foi sentenciado à pena de morte em 1983.

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