Adina Valman/Knesset Spokesperson Office/AFP
Adina Valman/Knesset Spokesperson Office/AFP

‘Discussão sobre a anexação é parte da realidade, não podemos ignorar’, diz cônsul israelense

Alon Lavi afirma que governo israelense formado após um ano de paralisia política quer negociar com palestinos usando plano americano como base e comenta combate ao coronavírus

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 04h00

Após um ano de paralisia política, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, formou um governo de coalizão com o rival Benny Gantz, consolidando seu poder após três eleições. O novo governo, que terá duração de três anos, tomou posse no dia 14 e já precisa lidar com críticas internacionais por conta da proposta de Netanyahu de anexar dezenas de assentamentos judeus construídos na Cisjordânia nas últimas décadas.

Na quarta-feira 20, o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ameaçou romper com a cooperação na área de Segurança com Israel e a ONU pressionou o governo israelense a abandonar a idéia de anexação. 

 

O plano de Netanyahu ganha respaldo no plano de paz para a região apresentado em janeiro pelo presidente americano, Donald Trump. O projeto, rejeitado pelos palestinos, prevê que Israel controle uma Jerusalém unificada como capital e não exige o desmantelamento de nenhum assentamento na Cisjordânia. Pelo contrário, prevê uma espécie de compensação aos palestinos em áreas desérticas perto do Egito. 

“Israel quer negociações diretas com a Autoridade Palestina para resolver o conflito e usar o plano americano como base para essa negociação. A discussão sobre a anexação é parte da realidade, não podemos ignorar”, diz o cônsul de Israel em São Paulo, Alon Lavi. Em entrevista ao Estadão, ele afirmou que a relação com o Brasil deve continuar a mesma e enalteceu a ação israelense no combate ao coronavírus. 

Como o sr. vê o pedido da ONU para que Israel desista da anexação de territórios da Cisjordânia?

Quando o ministro das Relações Exteriores entrou, ele anunciou que Israel continua a apoiar a iniciativa de paz dos EUA, Israel quer negociações diretas com a Autoridade Palestina para resolver o conflito e usar o plano americano como base para essa negociação. A discussão sobre a anexação é parte da realidade, não podemos ignorar. Precisamos entender o que está acontecendo. O obstáculo é o desejo dos palestinos para resolver esse conflito. 

Abbas afirmou que vai encerrar a cooperação em segurança com Israel. O que o sr. diz sobre isso? 

Por enquanto é uma ameaça, precisamos ver se será concretizada ou não. Não é a primeira vez que ele anuncia isso e é parte do desafio. Ameaças impedem mais diálogo e negociação.

Como fica a relação com o Brasil com o novo governo israelense? Muda alguma coisa?

Segue a mesma linha. Há uma amizade entre o governo de Israel e o governo do Brasil que independe de quem esteja no poder em Israel e não vejo porque mudar isso. O Brasil é um parceiro importante nosso no mundo inteiro, principalmente na América Latina, isso vai continuar. Temos um governo que quer trabalhar com o Brasil e veremos essa parceria crescer.

O Brasil tem ficado isolado na região por conta das atitudes do governo federal em relação ao coronavírus. Isso preocupa Israel? Algo foi transmitido aos consulados?

Por enquanto nada específico foi passado. Seguimos as orientações de Israel, mas também as determinações locais, respeitando as medidas de isolamento social e uso de máscaras, por exemplo. Não tem nenhuma orientação especial sobre o Brasil em Israel e não nos metemos nas políticas de Estado de outros governos. Estamos sempre abertos para conversar e compartilhar medidas. 

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Como o sr. vê a reação de Israel frente ao coronavírus e a reabertura agora?

Estamos felizes por estarmos voltando à normalidade, na próxima semana vamos abrir restaurantes e bares. O desafio principal hoje são eventos de cultura e esportes, que envolvem aglomerações, ainda não sabemos como serão. Parece que as medidas (adotadas pelo governo israelense) funcionaram e ajudaram a baixar os números (da pandemia). Temos esperança que vamos manter esses números e manter a vigilância para não ter novos casos e, se isso ocorrer, seguir com o protocolo de isolamento para evitar a disseminação.

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