AP Photo/Markus Schreiber
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Angela Merkel confirma que vai negociar nova coalizão na Alemanha

Chanceler que conquistou o direito de montar novo gabinete terá de obter o apoio do Partido Verde e do Partido Liberal-Democrata para poder governar

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2017 | 14h52
Atualizado 24 Setembro 2017 | 20h05

BERLIM - Vitoriosa nas urnas, mas sem maioria absoluta, a chanceler da Alemanha tratou neste domingo, 24, de iniciar as discussões por uma nova coalizão governamental para seu quarto mandato. E, para tanto, não poderá contar com o Partido Social-Democrata (SPD), cujo líder, Martin Schulz, anunciou a decisão de levar sua bancada no Parlamento para a oposição. O anúncio deixou a chefe de governo com uma única opção de aliança, a coalizão heterogênea entre a União Democrata-Cristã (CDU), o Partido Verde (centro-esquerda), e o Partido Liberal-Democrático (FPD), que têm divergências históricas profundas.

De acordo a apuração na noite deste domingo, o CDU deve reunir 240 deputados no Parlamento, com a maior bancada. A segunda maior força política ainda será o SPD, com 152 deputados. Já o AfD terá o direito de ingressar no Bundestag pela primeira vez, por ter superado a cláusula de barreira, e terá a terceira maior bancada, com 95 deputados. Completarão o parlamento o Partido Liberal-Democrata (FDP), com 76 parlamentares, o Partido Verde, com 66, e o Die Linke, de esquerda radical, também com 66 deputados.

Em seu discurso de vitória, a atual premiê reconheceu que seu partido obteve um resultado inferior ao esperado, mas atribuiu o resultado ao desgaste provocado pelos 12 anos de exercício do poder. "O CDU esperava resultados melhores, mas não vamos esquecer, diante do desafio extraordinário, que nós atingimos nossos objetivos estratégicos: nós somos o partido mais forte", argumentou, prometendo: "Nós temos o mandato para formar o novo governo e nós vamos formar o novo governo".

Minutos antes, Schulz havia anunciado que não oferecerá a Angela Merkel a possibilidade de uma nova "grande coalizão" entre o SPD e o CDU.

Segundo o social-democrata, o partido não permitirá que a Alternativa para a Alemanha (AfD) seja o líder da oposição ao governo no Parlamento. "Nós somos a oposição democrática. Vamos usar o tempo para nos reposicionar e nos reorganizar mais uma vez", anunciou. "Nessa noite a cooperação entre o SPD e o CDU está chegando ao final. A grande coalizão perdeu votos, perdeu suporte, e há uma maioria possível e viável para a formação de uma 'coalizão Jamaica'."

A "coalizão Jamaica", uma alusão às cores do CDU, do Partido Verde e do FDP, seria assim a única opção de Angela Merkel para governar em um quarto mandato. Mas ainda na noite deste domingo a chanceler exortou Schulz a repensar sua decisão, insinuando que dará prioridade a convencer o SPD a continuar a aliança que já governou o País entre 2005 e 2009 e entre 2013 e 2017. A chanceler garantiu que seu quarto governo vai trabalhar para reunir os países da União Europeia em uma luta contra as causas da imigração, que explica a ascensão da extrema direita em todo o continente. 

"Vamos reunir todos os países da UE para combater as causas da imigração e da imigração ilegal. É claro que o tema da segurança é uma preocupação maior para pessoas, assim como a prosperidade", reforçou a Angela Merkel. 

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