Maurizio Gambarini/EFE/Reuters
Maurizio Gambarini/EFE/Reuters

Angela Merkel e Putin trocam farpas em mensagens de ano-novo

Chanceler alemã alertou que a Europa permaneceria unida contra a ameaça russa na Ucrânia; Putin comemorou a anexação da Crimeia

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2014 | 14h48

GENEBRA - Líderes europeus trocam farpas e usam as mensagem de ano-novo para mandar seus recados. Neste dia 31, a crise na Ucrânia dominou o discurso na Europa e na Rússia, deixando claro que 2015 promete manter a tensão. Angela Merkel, a chanceler alemã, alertou que a Europa permaneceria unida contra a ameaça russa na Ucrânia. Vladimir Putin, horas depois também em rede nacional, comemorou a anexação da Crimeia. 


Merkel apontou que, quando 2014, ninguém poderia imaginar os eventos que marcariam o ano, em especial a crise com a Rússia. "Não existe dúvidas de que queremos segurança na Europa, junto com a Rússia, e não contra a Rússia", disse. 


"Mas não há dúvidas de que a Europa não pode aceitar o suposto direito do mais forte, que não respeita o direito internacional", atacou, em referência à invasão russa na Crimeia. Segundo ela, a Europa provou que pode resistir às tentativas de dividir o continente e que pode agir junto com os parceiros americanos. 


"A unidade na Europa não é um fim em si mesmo. Mas é a chave para superar a crise na Ucrânia e aplicar a força da lei", declarou. 


Putin, que caminha com a Rússia para uma recessão, preferiu usar o seu discurso para dar as boas vindas à Crimeia "de volta à casa". Segundo ele, a anexação é um importante capítulo da história russa. "Amor pela pátria mãe é um dos sentimentos mais poderosos", disse. "Isso se manifesta em um apoio ao povo da Crimeia e de Sevastopol, quando eles decidiram retornar à casa. Isso vai ser para sempre uma época muito importante na história doméstica", disse. 


A economia russa corre o risco sofrer uma contração de 4% em 2015, por conta da queda do preço do barril do petróleo e diante das sanções internacionais. Putin evitou o assunto e apenas indicou que o país "precisa implementar tudo que se planejou para o nosso bem, para o bem de nossas crianças da pátria-mãe". 


Em uma mensagem separada, ele desejou Feliz Natal ao presidente ucraniano,  Petro Poroshenko. Os dois devem se encontrar em janeiro, ao lado de Merkel e François Hollande, presidente francês. 


Xenofobia. Outro tema de destaque nas mensagens de final de ano foi o fortalecimento da xenofobia na Europa. Merkel usou o momento para pedir aos alemães que se distanciem dos protestos contra o que seus organizadores chamam de "islamização da Europa". 


Em Dresden, grupos de extrema-direita tem organizado as manifestações e, na semana passada, conseguiram atrair 17 mil pessoas usando o lema "Wir sind das Volk!" (Nós somos o povo).  


O grupo se queixa da política de imigração de Berlim, acusando Merkel de ter aberto as fronteiras a muçulmanos. "Algumas pessoas estão gritando "Nós somos o povo", disse. "Mas o que querem realmente dizer é: "vocês não pertence aqui por que não tem a cor da pele certa ou religião", disse. "Não sigam esse apelo. Há preconceito e ódio nesses corações", alertou. Ela ainda saiu em defesa da imigração, indicando que "todos saem ganhando".

Mais conteúdo sobre:
Angela MerkelVladimir Putin

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.