Angela Merkel ganha status de ´voz da Europa´, diz <i>NYT</i>

Quando Angela Merkel foi escolhida há 14 meses para ser a primeira mulher a receber o cargo de primeira-ministra da Alemanha, ela se parecia menos com um fenômeno do que com a sortuda da vez, principalmente depois das previsões de que seu governo poderia ser ´manco´ e repleto de problemas internos rumo ao colapso.Agora, de acordo com análise publicada nesta quinta-feira pelo jornal norte-americano The New York Times, com britânicos e franceses envolvidos no fluxo político eleitoral, Merkel tem forjado, surpreendentemente, uma relação de confiança com George W. Bush e tem surgido como uma alternativa de liderança na Europa.Não é por acidente que a primeira parada da Secretária de Estados dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, quando estiver se dirigindo para o Oriente Médio, na próxima semana, seja em Berlim, quando ela encontrará Merkel, na tentativa de ganhar um reforço nas negociações de paz na região assolada por conflitos étnicos entre judeus e palestinos.Em uma visita a Washington, na semana passada, Merkel recebeu a promessa de que Bush valorizaria mais as negociações entre o quarteto: Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas, para promover as discussões de paz entre Israel e Palestina.?Esta postura habilitaria a União Européia, como um todo, a assumir mais responsabilidades, e nós desejamos ter este papel no processo de paz do Oriente Médio", disse Merkel durante uma entrevista coletiva após o encontro com Bush durante a visita da primeira-ministra alemã a Washington.A investida de Merkel em direção ao Oriente Médio é uma de suas iniciativas de grande visibilidade desde que a chanceler , como assumir a presidência rotativa da União Européia e do Grupo das Oito Nações Industrializadas (G-8). De acordo com analistas, o top da agenda da primeira-ministra alemã é revigorar a aliança do Atlântico. A sua premeira viagem internacional após assumir a presidência foi aos Estados Unidos, mais especificamente à Casa Branca, onde ela propôs a criação de uma zona econômica transatlântica e pressionou por mudanças na política ambiental e de emissões de poluentes do governo Bush.Conforme a análise do NYT, Merkel está ficando mais respeitada nos Estados Unidos principalmente porque ela é a única líder que está em situação de governo nas três maiores nações da Europa. Tony Blair, da Inglaterra, e Jacques Chirrac, da França, estão nos meses finais de seus mandatos prolongados.Administração Bush quer Merkel como parceiraDe acordo com o principal assistente da Casa Branca para negócios entre a Europa e Ásia, o deputado Kurt Volker, a administração Bush encara Merkel como ?ponto ancora" para as suas negociações com a União Européia, principalmente por encarar que a alemã está afinada com a posição norte-americana em relação ao programa nuclear iraniano. "Ela é considerada a grande liderança da Europa no momento", disse Volker.Depois da ruptura entre os Estados Unidos e boa parte das nações européias, por conta do posicionamento norte-americano na guerra do Iraque, a administração Bush precisava encontrar uma liderança alemã com quem se afinar, o ex-premier Gerhard Schröder, era um oponente de peso à guerra e tinha ´baixa sintonia´ com os EUA. Já a sintonia com a atual governante é alta. Chamada a comentar a nova estratégia de Bush para o Iraque - de enviar mais de 20 mil soldados para o Iraque - ela preferiu dizer a jornalistas, em inglês, "next time" (da próxima vez, em português). Na prática, para o NYT, Merkel não deixou dúvidas de que vai defender suas idéias agressivamente. Especialmente, a sua proposta econômica transatlântica, ao que ela atribui a função de harmonizar as regulações comerciais entre Europa e América. Em uma afirmativa, ela mostra como pretende se apoiar nos EUA para alavancar sua liderança. ?Em um mundo com economias crescentes como China, India, e América Latina, nós vivemos uma competição completamente diferente, que sugere unir nossos poderes, não cair nas estratégias de protecionismo que reduzem o nosso poder".

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