AFP PHOTO / Aris Oikonomou
AFP PHOTO / Aris Oikonomou

Angela Merkel oferece vaga de ministro para um de seus maiores críticos

Jens Spahn é da ala mais conservadora da CDU, partido da chanceler, e tem atacado política de imigração alemã

Reuters, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2018 | 18h43

BERLIN - A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou neste domingo, 25, que deve promover Jens Spahn a um gabinete de coalizão, no ministério da Saúde. Spahn é membro do Partido Democrata Cristão (CDU), o mesmo de Merkel, mas é um de seus maiores críticos. A declaração é um sinal de que a chanceler está atenta aos pedidos por renovação e novo direcionamento.

Mesmo depois de estabelecer um acordo com chefes do Partido Social Democrata (SPD) em uma nova "grande coalizão", Merkel ainda precisa do apoio dos dois partidos para garantir o quarto mandato e a aprovação de membros do SPD não é uma garantia. Antes de os grupos votarem o novo acordo, na última segunda-feira, 19, a chanceler anunciou a escolha de seis ministros de seu partido, para o que ela chamou de equipe "jovem e dinâmica".

“Era minha tarefa apresentar um quadro de pessoas orientadas pelo futuro e que ofereçam uma boa mistura de experiência e novos rostos”, disse Merkel, destacando que ela é a única pessoa acima dos 60 anos. “Isso não é fácil.”

A nomeação de Spahn à vaga de ministro da Saúde é uma indicação de Merkel para amenizar as críticas que pediram por sangue fresco em sua equipe. O político é um nome de destaque na ala mais à direita do partido e tem atacado com veemência a política de imigração de Merkel.

+++ A grande coalizão alemã é uma roubada

Spahn tem 37 anos e era vice-ministro das Finanças desde 2015. Antes disso, era uma especialista em saúde no CDU e nunca disfarçou suas ambições de chegar ao topo. Merkel disse que acredita que Spahn está interessado em trabalhar com ela para fazer o que tem que ser feito e afirmou que não vê problemas com o fato de ele, assim como outros, ter expressado críticas anteriormente.

Tal decisão é sinal do enfraquecimento da posição de Merkel desde a votação fraca pelos conservadores nas eleições nacionais de setembro. Analistas afirmam que esta é uma manobra para estender a mão e assegurar o apoio de um dos seus principais críticos. / Reuters

Mais conteúdo sobre:
Alemanha [Europa]Angela Merkel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.