AFP PHOTO / Fabrice COFFRINI
AFP PHOTO / Fabrice COFFRINI

Angelina Jolie homenageia brasileiro morto em Bagdá

Lembrando a morte de Sérgio Vieira de Mello atriz alertou que Nações Unidas vivem momento de desafio e pediu que cidadãos sigam o compromisso do brasileiro

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 16h03

GENEBRA - A atriz americana Angelina Jolie prestou nesta quarta-feira, 15, uma homenagem emocionada ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em Bagdá em agosto de 2003 enquanto liderava a operação da ONU no Iraque. Num evento para centenas de diplomatas e autoridades na sede das Nações Unidas, em Genebra, ela qualificou o brasileiro como um "homem extraordinário" que recebia sempre a tarefa "impossível".

Diante da crise mundial em diversas frentes, a atriz alertou que o espírito de compromisso de Vieira de Mello com os mais desfavorecidos precisa ser repetido agora por cidadãos de todo o mundo. Sem isso, o risco é de que a própria ONU esteja ameaçada. 

"Seu país era o mundo e sua religião era fazer o bem", disse a atriz, que serve como embaixadora da ONU para Refugiados, vinculo que ela tornou vitalício com a instituição. "Sérgio era um homem que nunca recusava uma missão, por mais perigosa e difícil que fosse", disse.  "Ele continua sendo um herói e uma inspiração."

Para Angelina, os conselhos do brasileiro teriam sido "valiosos hoje", diante da crise de refugiados, 20 milhões de famintos e da guerra na Síria. "Muitos sentem sua falta, ainda hoje", disse. 

Na opinião da atriz, o mundo está "cada vez mais incerto" e as entidades vivem uma situação em que penam para dar uma resposta às diferentes crises. "Temos mais refugiados que nunca e novas guerras que surgem, se amontoando naquelas que já existem", afirmou. 

Mas sua principal mensagem foi contra líderes internacionais que, nos últimos meses, passaram a indicar que estariam dispostos a abandonar tratados internacionais. "Vemos um aumento do nacionalismo, mascarado de patriotismo. Sou uma americana orgulhosa e uma internacionalista", alertou, sem citar o nome do presidente dos EUA, Donald Trump. 

"Sucesso não é ser melhor ou maior que os outros. Mas encontrar seu espaço no mundo onde outros possam também ter sucesso", disse. "Uma nação forte, como uma pessoa (forte), ajuda as demais."

Angelina opinou ainda que a ONU precisa passar por mudanças que o próprio Vieira de Mello desejava. "Mas ele nunca jogou a toalha (...) A ONU apenas pode mudar se governos mudarem suas políticas e se nós, como cidadãos, pedirmos para que nossos governos façam isso", defendeu.  "Caso não o façamos, um mundo mais sombrio e incerto nos espera", alertou.

"14 anos depois da morte de Sérgio, há uma necessidade mais urgente que nunca diante de nós para sermos fieis aos ideias e objetivos da ONU", disse. "Não podemos todos ser como Sérgio. Mas espero que possamos determinar o fato de que seremos uma geração que renove o compromisso pela paz e promover progresso social", completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.