Angústia marca família de brasileiro desaparecido em Bali

Esta segunda-feira foi mais um dia de angústia para colegas, familiares e amigos do terceiro-sargento Marco Antônio Farias, em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre. Sem notícias do filho de 27 anos, desaparecido desde os atentados de sábado à noite na ilha de Bali, na Indonésia, os pais mantiveram-se afastados da imprensa, enquanto recebiam apoio de uma equipe de seis pessoas, inclusive um médico, destacada pelo coronel Ivan Carlos Weber Rosas, comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz). No quartel, os serviços seguiram a rotina diária, mas o clima era de apreensão. Testemunha da desgastante espera da familiares e colegas, Rosas ainda acredita que Farias possa ser encontrado entre os feridos não identificados nos hospitais de Bali. "Mantemos a esperança de tê-lo de volta vivo", afirmou no início da tarde, após falar com o comando do Exército, em Brasília.Segundo Rosas, no último contato com a família, por e-mail, na sexta-feira, Farias mostrava-se animado com a viagem que fazia a Bali, junto com outros nove soldados brasileiros, aproveitando a folga de uma semana no posto de controle de fronteira de Batugade, no Timor Leste. O soldado Martin Luther Agner, de 22 anos, com residência em Novo Hamburgo, município próximo a São Leopoldo, sofreu ferimentos no atentado, mas foi liberado pelos médicos no domingo. Ele teria sido o último colega a ver Farias, nas proximidades de uma das casas noturnas atingidas pelas bombas. Os outros oito militares que estavam em Bali escaparam ilesos dos atentados. O sargento Farias é um dos 19 voluntários do 19º BIMtz que partiram no dia 16 de junho deste ano para a segunda missão de militares gaúchos no Timor Leste, da qual também participam 51 soldados do 3º Batalhão de Polícia do Exército, de Porto Alegre. Eles substituíram um grupamento da Polícia do Exército do Distrito Federal na força de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas na ex-colônia portuguesa e têm volta marcada para 8 de dezembro.No Timor Leste, os militares brasileiros estão divididos em duas frentes. Um grupo de 51 homens atua na capital, Dili, fazendo a segurança de prédios públicos, organização do trânsito e proteção às autoridades. Outro grupo, com 19 soldados, controla um posto de fronteira com o Timor Oeste, que faz parte da Indonésia, em Batugade.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2002 | 17h01

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