Anistia afirma que crianças congolesas continuam sendo usadas por grupos armados

Um relatório do grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, divulgado nesta quarta-feira, critica duramente a República Democrática do Congo por não ter conseguido acabar com o envolvimento de crianças nos grupos armados do país. Três anos após o fim de uma guerra em que elas foram forçadas a lutar, 11 mil crianças ainda carregam armas devido à "falta de vontade política, à desorganização e à corrupção", segundo a Anistia.O relatório diz ainda que meninas continuam sendo usadas como escravas sexuais e empregadas domésticas por comandantes militares.Uma das meninas ouvidas pela Anistia conta que se uniu a um dos grupos quando perdeu seus pais, aos 12 anos de idade. "Achei que eles fossem tomar conta de mim, mas um homem me escolheu como ´esposa´ e me forçava a carregar coisas pesadas, a roubar cabras e até a lutar com armas. Um dia, consegui escapar e fui para casa, mas os mayi-mayi (um dos principais grupos rebeldes do país) vieram ameaçar meus parentes e tive que voltar", diz Marie, hoje com 17 anos.Outras crianças admitem que, apesar dos horrores enfrentados por elas durante a vida militar, elas podem ser obrigadas a recorrer novamente aos grupos armados por uma questão de sobrevivência.A Anistia Internacional diz ainda que o novo exército congolês é uma das facções usando crianças como recrutas. Elas seriam escolhidas por serem mais facilmente manipuladas e, muitas vezes, desconhecerem os perigos que enfrentarão.Reintegração O programa de desmilitarização e reintegração que visava libertar crianças soldados e levá-los de volta a uma vida normal começou dois anos atrás, mas teria falhado em sua missão.A organização de direitos humanos fez um apelo para que o vencedor das próximas eleições no país transforme a questão em prioridade."O novo governo deve ter como maior prioridade garantir que todas as crianças associadas às forças armadas e grupos armados sejam libertadas, protegidas e tenham acesso a oportunidades de estudo e geração de renda para que possam permanecer em suas comunidades", pede o relatório.No dia 29 de outubro, a República Democrática do Congo realizará o segundo turno da primeira eleição multipartidária em 46 anos para a presidência.

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