Anistia alerta para ascensão de jihadistas

Relatório de ONG constata que grupos armados cometeram abusos em 35 países em 2014

LONDRES, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 02h02

O crescimento de grupos armados não estatais, como o jihadista Estado Islâmico (EI), é uma das principais preocupações da Anistia Internacional (AI), segundo relatório anual da entidade divulgado ontem. O estudo mostra que milícias cometeram abusos em ao menos 35 países em 2014.

"Enquanto a influência de grupos como Boko Haram, Estado Islâmico e Al-Shabab transborda fronteiras nacionais, mais civis são forçados a viver sob seu controle quase estatal, sujeitos a abusos, perseguições e discriminação", disse a diretora de pesquisa da AI, Anna Neistat.

O relatório destaca a atuação do EI no Iraque e na Síria, país que ainda vive uma guerra civil entre forças do presidente Bashar Assad e diversos grupos rebeldes. "Integrantes do EI e de outros grupos armados controlaram (em 2014) diversas regiões da Síria, entre elas, Alepo, a maior cidade do país, e impuseram punições como assassinatos públicos, amputações e torturas pelo o que consideram transgressões à sua versão da lei islâmica", afirma o relatório da Anistia.

Até o fim de 2014, mais de 200 mil pessoas foram mortas no conflito sírio e 4 milhões foram obrigados a deixar o país.

A execução de soldados e integrantes de minorias étnicas e religiosas no Iraque por parte do EI também foi ressaltada no trecho do relatório sobre a ascensão do grupo e os métodos usados pelos jihadistas.

Entre janeiro e outubro do ano passado, 10 mil pessoas morreram em confrontos entre o EI e forças de segurança do Iraque. Mais de 2 milhões de pessoas tiveram de deixar suas casas, causando uma crise humana.

Outros grupos. O estudo da Anistia também cita a presença do grupo extremista Al-Shabab na Somália, que "tortura e mata pessoas acusadas de espionar (o grupo) ou não seguir a lei islâmica". A atuação do Boko Haram na Nigéria e em Camarões também preocupa a organização não governamental.

Segundo a AI, o armamento enviado para os países onde esses grupos atuam acaba caindo na mãos dos extremistas, piorando a situação da população civil. A Anistia pede aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que renunciem ao direito de veto quando houver uma situação de genocídio ou de massacres para "proteger os civis".

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