Anistia cobra o fechamento da prisão de Guantánamo

A Anistia Internacional (AI) pediu hoje à União Européia que cobre do governo dos Estados Unidos o fechamento de sua prisão na base naval de Guantánamo (Cuba), ao mesmo tempo que apresentou um novo relato de um detido sobre a existência de torturas e maus-tratos na detenção. Em carta enviada à Presidência da UE, a cargo da Áustria, a organização destaca que, quatro anos depois das primeiras detenções nesta base naval, ainda há "centenas de pessoas que continuam presas sem acusações" e existem novas evidências de casos de torturas.Por isso, a AI pede à Presidência da UE que siga o exemplo da chanceler alemã, Angela Merkel, que anunciou que sexta-feira pedirá ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o fechamento do centro de detenção de Guantánamo. "Quatro anos são muito tempo de um vergonhoso buraco negro legal que foi tolerado pela União Européia", afirmou o diretor do escritório europeu da AI, Dick Oosting.Segundo a carta, a Anistia recebeu novos relatos, entre esses um de Jumah al-Dossari, bareinita que foi um dos primeiros detidos a chegar a Guantánamo e que fala das torturas e maus-tratos físicos e psicológicos cometidos pelo pessoal dos Estados Unidos. Em seu testemunho, de 27 páginas, Al-Dossari conta que foi proibido de rezar, tinha apenas dois minutos para tomar banho, faltava comida, que as celas tinham serpentes e escorpiões, eram insultados e que recebia drogas alucinógenas."Durante as investigações, fui ameaçado com agressões e ataques à minha família na Arábia Saudita", afirma o detido, que fala de inúmeros casos de espancamentos ocorridos na prisão.

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