Anistia expressa preocupação pela morte de civis na Somália

A Anistia Internacional (AI) expressou nesta quarta-feira preocupação ao Governo americano pela possível morte de pelo menos 30 civis durante vários ataques aéreos lançados pelo país contra supostos membros da Al-Qaeda no sul da Somália.A organização de defesa dos direitos humanos tem escrito ao titular da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, para pedir informação sobre os bombardeios e também explicações sobre as medidas que se tomaram para evitar as baixas civis. "Nos preocupa que vários civis possam ter morrido como resultado de um descumprimento da legislação internacional", assegura em comunicado Claudio Cordone, diretor do programa de investigação da ONG."O que queremos saber do governo americano é se suas forças tomaram as precauções necessárias para diferenciar entre combatentes e civis quando elegeram os métodos para seu ataque", acrescentou.A lei internacional, lembra a Anistia, proíbe os ataques diretos contra pessoas, objetos e infra-estruturas civis, assim como ofensivas indiscriminadas e ataques desproporcionais com efeitos na população civil.Em seu comunicado, a AI anuncia que também tem escrito às autoridades do Quênia para pedir que reabram sua fronteira, fechada desde 2 de janeiro, para permitir a entrada de dezenas de milhares de refugiados que fogem do conflito. A Somália viveu nesta quarta-feira seu terceiro dia de ataques aéreos americanos na busca por supostos terroristas, ao mesmo tempo que aumentam as críticas internacionais e o número de mortos, que, segundo fontes médicas, subiram para 84 desde que começou a ofensiva.Desde segunda-feira, as forças americanas lançaram três ofensivas contra vários povoados do sul da Somália, primeiro com um avião AC-130 e depois com helicópteros de combate.A ação está centrada em atacar supostas bases da Al Qaeda onde, aparentemente, estavam pelo menos três de seus dirigentes envolvidos nos atentados de 1998 contra as embaixadas dos EUA no Quênia e Tanzânia, que provocaram mais de 250 mortos, e contra um hotel no litoral queniano.

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