REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Anistia Internacional alerta para violações de direitos humanos na Venezuela

País lida com a inflação mais alta do mundo e com uma escassez de ao menos 80% de produtos básicos, como alimentos e remédios

O Estado de S. Paulo

07 Junho 2016 | 10h10

CARACAS - A organização Anistia Internacional (AI) alertou na segunda-feira que foram registradas na Venezuela "graves violações" aos direitos humanos pela falta de acesso da população a alimentos e remédios.

"A Venezuela está passando por uma encruzilhada importantíssima em sua história com graves violações aos direitos humanos, aos direitos fundamentais das pessoas que têm que viver com sua alimentação básica, com acesso a remédios básicos", afirmou em Caracas a diretora para a América da Anistia Internacional, Erika Guevara.

Após um encontro com parentes de políticos presos na sede do Parlamento venezuelano, Erika assegurou que na Venezuela há "uma situação de grave polarização política que não permite que o Estado cumpra suas responsabilidades de proteção aos direitos humanos".

A Venezuela tem a inflação mais alta do mundo - oficialmente de 180,9% em 2015 e projetada para 700% em 2016 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) - e sofre uma escassez de ao menos 80% dos alimentos básicos. Dessa forma, a população tem que enfrentar longas filas para comprar produtos a um preço subsidiado.

A ativista da Anistia Internacional informou que conversará com pessoas que estão nas filas para escutar "os depoimentos daquelas que hoje são as mais afetadas e vulneráveis em seus direitos humanos".

Erika manifestou que o "principal interesse" da visita da AI é colaborar com as autoridades, membros da sociedade civil e ativistas de direitos humanos para alcançar "uma solução pacífica" para a crise que afeta a população.

A ativista lamentou que a América Latina e o Caribe enfrentem "grandes retrocessos em questão de direitos humanos".

Nas últimas semanas aumentaram os protestos, roubos e confusões em supermercados em diferentes cidades do país, diante do agravamento da escassez de alimentos e remédios.

Uma mulher morreu na segunda-feira com um tiro no rosto quando saqueadores invadiram armazéns de alimentos no leste da Venezuela. Marco Ponce, da ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social, afirmou que nos primeiros 4 meses de 2016 houve 94 roubos e 72 tentativas de roubo. /AFP

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