Anistia Internacional condena conflito no Oriente Médio

O grupo de direitos humanos Anistia Internacional acusou hoje as tropas de Israel de terem promovido atos de vandalismo durante recentes incursões em cidades e campos de refugiados palestinos e também classificou de ?chocantes e inaceitáveis? os ataques palestinos contra civis israelenses.As Forças de Defesa de Israel alegam que visavam com as incursões encontrar militantes palestinos. Um porta-voz do Exército, tenente-coronel Olivier Rafowicz, disse que a Autoridade Palestina deveria ser responsabilizada por qualquer dano a propriedades palestinas, já que, segundo ele, os palestinos não fizeram nada para conter militantes.Numa entrevista coletiva, o assessor militar da Anistia, David Holley, afirmou que as invasões israelenses não serviram em nada para erradicar e deter militantes. "Elas apenas ferem, humilham degradam a população civil", disse Holley, que serviu como major do Exército britânico por 12 anos.Holley se mostrou perturbado com o fato de "um Exército profissional permitir que seus soldados fiquem impunes diante vandalismo perverso".Holley afirmou que ele e outros pesquisadores visitaram cidades palestinas e campos de refugiados na Cisjordânia e Faixa de Gaza, nos últimos cinco dias, e que em algumas casas viram televisores esmagados, brinquedos infantis destruídos e, em um incidente, uma cópia rasgada do Corão, o livro sagrado muçulmano.Rafowicz garantiu que "alegações de destruição do Corão são falsas e servem apenas para criar um ambiente contrário à paz"."Se alguém tem de ser culpado pelos danos, que seja diretamente a Autoridade Palestina porque eles deveriam lidar com esses terroristas e não fizeram nada", afirmou Rafowicz.A Anistia também condenou ataques palestinos a tiros e com bombas contra civis israelenses. "Alvejar civis vai contra a Convenção de Genebra... explodir bombas onde estão mulheres e crianças, disparar arbitrariamente em estradas é chocante", expressou a pesquisadora Elizabeth Hodgkin."Mas tais ações inaceitáveis nunca poderiam justificar as violações dos últimos 18 meses que temos visto serem cometidas diariamente contra palestinos", acrescentou.O grupo afirmou que a missão do enviado norte-americano Anthony Zinni para tentar uma trégua na região, está "fadada a fracassar", caso a questão dos direitos humanos não seja tratada."Se autoridades dos EUA são sérias em seus esforços para reduzir o nível de violência, é absolutamente vital que reconheçam a decisiva importância dos direitos humanos para a segurança e para uma paz duradoura", disse Curt Goering, vice-diretor da Anistia Internacional dos EUA.

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