Anistia Internacional condena prisões militares no Iraque

O relatório de grupo de direitos humanos Anistia Internacional acusa os Estados Unidos de torturarem os presos no Iraque com choques e espancamentos com canos de plástico, mesmo com a promessa americana de não permitir esse tipo de tratamento para com os detentos desde o escândalo de Abu Ghraib. A Anistia Internacional disse que muitos dos abusos relatados ocorreram em prisões controladas por autoridades iraquianas. Em Bagdá, o representante do ministro do interior para assuntos policiais, major general Ali Ghalib, negou todas as acusações. Em novembro, o primeiro ministro Ibrahim al-Jaafari reconheceu que 170 iraquianos presos em um complexo do Ministério do Interior, em Bagdá, mostravam sinais de tortura e desnutrição. O governo prometeu investigar o caso. Em resposta às acusações, um porta-voz do exército americano para operações de detenção disse que todos os presos são tratados de acordo com convenções internacionais e leis iraquianas. A Anistia, com sede em Londres, informou que em entrevistas no ano passado e neste ano com ex-presidiários na Jordânia e no Iraque, parentes de detentos atuais e advogados envolvidos em casos de prisão no Iraque, mostraram que a falta de cuidado com os prisioneiros não diminuiu desde o escândalo de Abu Ghraib, há três anos. No caso de Abu Ghraib, fotografias de 2003 mostram detentos iraquianos sendo humilhados pelas autoridades americanas, o que causou uma onda de ódio pelo mundo e levou a vários julgamentos militares e sentenças de prisão a soldados americanos de baixa patente. Nas novas alegações, ex-detentos afirmam que foram espancados com canos de plástico e receberam choques elétricos. Ainda segundo os ex-presidiários, soldados americanos faziam com que eles ficassem em pé em uma sala encharcada enquanto passavam uma corrente elétrica pela água. O exército americano disse que todos os detentos recebem uma explicação do motivo de estarem sendo presos e seus processos são revisados de 90 a 120 dias, disse o porta-voz do comandante da prisão americana, tenente coronel Guy Rudisill. Em fevereiro, nova imagens de presos nus, alguns sangrando e jogados no chão, foram divulgadas pela Australia´s Special Broadcasting Service. O relatório da Anistia afirma, citando um site do exército dos EUA, que no ano passado as prisões iraquianas tinham a capacidade para 14 mil detentos. Neste ano, os EUA pretendem gastar cerca de US$ 50 milhões para expandir a capacidade para 16 mil. Veja mais: Anistia Internacional

Agencia Estado,

06 Março 2006 | 16h12

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