K.M. Chaudary/AP
K.M. Chaudary/AP

Anistia Internacional critica campanha antiburca na Catalunha

Comunidade é a única na Espanha que avalia vetar as vestimentas integrais em todo seu território

Christina Stephano de Queiroz, especial para o estadão.com.br,

10 Setembro 2011 | 18h34

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro

 

SÃO PAULO - Em meio a uma polêmica retomada depois que partidos conservadores de direita levantaram a bandeira da "libertação da mulher muçulmana" na Europa, a França e a Bélgica proibiram, em meados de 2010, o uso de vestimentas integrais como a burca e o niqab em espaços públicos como ruas, ônibus e bibliotecas.

 

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Na mesma direção das decisões tomadas nesses países, a Catalunha é a única comunidade autônoma da Espanha que estuda proibir o uso das vestimentas em prefeituras e edifícios oficiais em todo seu território. A polêmica na região começou quando, em julho do ano passado, alguns municípios decidiram proibir a utilização em prédios do governo, com a justificativa de que, ao levar o rosto tapado, as mulheres representam uma ameaça para a segurança da sociedade.

 

Além disso, argumenta-se, com base em narrativas de alguns governantes, que a medida permite combater a discriminação das mulheres, como se elas sempre fossem obrigadas por uma terceira pessoa a usar as vestimentas. Após protestos de organizações relacionadas com o mundo árabe e muçulmano, o Tribunal Superior da Catalunha decidiu autorizar as proibições.

 

Para María Serrano, responsável adjunta de política interior da Anistia Internacional na Espanha, o veto do uso da burca e do niqab é uma medida discriminatória, ao se dirigir a um coletivo específico, além de violar direitos de liberdade religiosa e de expressão, pois há quem use as prendas por vontade própria. “Poucas mulheres utilizam a vestimenta integral na Espanha e não se pode combater a discriminação discriminando”, diz. 

 

Ainda de acordo com ela, em outras regiões da Espanha algumas prefeituras tentaram colocar em prática medidas parecidas, porém foram projetos pontuais que não abrangeram todos os municípios, como se pretende fazer na Catalunha. Ela considera tal iniciativa lamentável, na medida em que a comunidade é uma das que mais possui muçulmanos no país. "Se o Tribunal Superior adotar a proibição em toda Catalunha, vamos protestar", afirma.

 

Para entender

A burca e o niqab cobrem completamente o corpo. O niqab deixa o vão dos olhos aberto, enquanto a burca o tapa com uma espécie de rede transparente.

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