Anistia Internacional dá sua maior condecoração a Suu Kyi

Prêmio reforça apoio à ativista dos direitos humanos de Mianmar, cujo julgamento termina na terça

Associated Press e Efe,

27 de julho de 2009 | 16h36

A líder da oposição pró-democracia de Mianmar, Aung San Suu Kyi, foi condecorada nesta segunda-feira, 27, com o maior prêmio da Anistia Internacional por seu trabalho de defesa dos direitos humanos, ratificando o apoio da comunidade internacional à vencedora do Prêmio Nobel da Paz, cujo julgamento termina nesta terça-feira.

 

Suu Kyi é acusada de violar os termos de sua prisão domiciliar e pode pegar cinco anos de prisão, embora haja especulações de que ela volte à ficar confinada em casa em vez de ir para a cadeia.

 

Nem os apelos da comunidade internacional e nem as ofertas dos EUA em estreitar os laços com o país asiático caso Sun Kyi seja liberada parecem ter afastado a determinação da coalizão governante de Mianmar de manter a ativista de 64 anos presa. A comunidade internacional e os apoiadores locais de Suu Kyi temem que os governantes tenham encontrado uma desculpa para mantê-la presa durante as eleições programadas para o ano que vem.

 

A ONG de direitos humanos Anistia Internacional concedeu a Suu Kyi o prêmio de Embaixadora da Consciência, com o intuito de que sua maior condecoração ajude a deter as autoridades de Mianmar de impor mais e maiores restrições ao caso da ativista.

 

"Nesse longos e obscuros anos, Suu Kyi foi considerada um símbolo de esperança, coragem e a imortal defesa dos direitos humanos", disse Irene Khan, secretária geral da Anistia Internacional sobre a prisão da ativista, que passou 14 dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.

 

Suu Kyi é julgada desde 18 de maio por supostamente ter violado os termos da prisão domiciliar que cumpria desde 2003, um crime punido com até cinco anos de prisão. Ela foi acusada de descumprir os termos de sua detenção quando permitiu que o americano John William Yettaw dormisse em sua casa.

 

Yettaw, de 53 anos, foi detido em 6 de maio após abandonar a casa da líder opositora quando retornava nadando pelo lago Inya. O julgamento da Nobel da Paz de 1991 começou poucos dias antes do fim de sua mais recente prisão domiciliar, punição que cumpriu durante mais de 13 dos últimos 19 anos.

 

Governos de todo o mundo e organizações internacionais, com as Nações Unidas à frente, condenaram o processo e pediram a libertação imediata da líder opositora.

 

A defesa de Suu Kyi alega que sua cliente permitiu que Yettaw passasse a noite em sua casa por compaixão, porque percebeu que ele estava muito cansado após atravessar a nado o lago Inya, e por isso não conseguiria retornar. Além disso, os defensores dizem que a culpa pela invasão é das autoridades, que são responsáveis pela segurança da casa.

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