Anistia Internacional denuncia perseguição à esquerda nas Filipinas

A Anistia Internacional (AI) alertou para o perigo de que a investigação sobre a suposta trama golpista neutralizada pelo governo das Filipinas se transformar em uma perseguição política contra os partidos legais de esquerda."Embora a suposta conspiração golpista envolva pessoas de todo o campo político, há informes de que a esquerda em particular pode ter sido alvo de detenções baseadas em acusações duvidosas", diz o comunicado da AI divulgado nesta quinta-feira pelo Movimento Ecumênico para a Paz e a Justiça.A AI levantou a suspeita após receber a informação de que a polícia elaborou uma lista de supostos conspiradores que contém nomes de 48 dirigentes de esquerda, alguns dos quais foram presos com acusações emitidas há duas décadas.´Mortes políticas´É o caso de Crispín Beltrán, congressista do partido Anakpawis, detido por ter supostamente fomentado o motim um dia depois de o governo ter declarado estado de emergência nacional.A AI denuncia ainda a situação de Beltrán, de 73 anos, que segue preso desde 25 de fevereiro apesar de sofrer uma crise cardíaca que aconselha que seja hospitalizado.O organismo expressou também seu temor pelo fato de as autoridades seguirem relacionando os partidos de esquerda com a guerrilha comunista do Novo Exército do Povo, o que, segundo a AI, propicia que os militantes desses grupos sejam vítimas de "mortes políticas".A AI informa que desde 2001 mais de 80 membros do partido Bayan Muna (Povo Primeiro) foram assassinados por grupos armados.

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