AFP PHOTO
AFP PHOTO

Anistia Internacional denuncia prisão de dissidentes do governo do Vietnã

Segundo ONG, autoridades vietnamitas estão realizando uma campanha de intimidação contra dezenas de ativistas ao restringir a liberdade de expressão e o direito à reunião. Obama cobrou que país respeite as liberdades políticas

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2016 | 11h12

HANÓI - A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) denunciou nesta terça-feira, 24, a prisão de seis dissidentes do governo do Vietnã enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, está em visita oficial ao país.

Autoridades vietnamitas vêm realizando uma campanha de intimidação contra dezenas de ativistas, restringindo a liberdade de expressão e o direito à reunião, segundo a AI.

"Apesar de o (Vietnã) ser o foco da atenção mundial com a visita do presidente dos EUA, as autoridades locais, vergonhosamente, continuam com a repressão como de costume", relatou Rafendi Djamin, diretor da Anistia Internacional para o Sudeste Asiático e o Pacífico, em comunicado.

Nos últimos dias, seis opositores foram detidos e dezenas de ativistas protestaram nas redes sociais sobre a presença de policiais descaracterizados em frente a suas casas, que os confinaram em seus domicílios.

"Os direitos humanos não podem ser sacrificados por acordos de segurança e comerciais", opinou T. Kumar, diretor de legislação internacional da AI.

A Anistia pede que Obama pressione Hanói para conseguir a libertação de todos os prisioneiros políticos no país e para que aconteçam avanços no reconhecimento dos direitos humanos.

Reação. Barack Obama cobrou o Vietnã para que o país respeite as liberdades políticas, depois que críticos do governo comunista foram impedidos de encontrá-lo em Hanói. Ele afirmou que isso é um sinal de que, apesar de algumas reformas legais “modestas”, “ainda há gente que acha muito difícil se reunir e se organizar pacificamente para tratar de temas com os quais se preocupam profundamente".

"Ainda existem áreas de preocupação significativa em termos de liberdade de expressão, liberdade de reunião, prestação de contas no que diz respeito ao governo", afirmou, acrescentando mais tarde em discurso que advogar os direitos humanos não é uma ameaça à estabilidade.

Obama chegou ao Vietnã na noite de domingo e na segunda-feira se reuniu com o presidente do país, Tran Dai Quang, além do primeiro-ministro, Nguyen Xuan Phuc, e do secretário-geral do Partido Comunista, Nguyen Phu Trong.

O presidente americano anunciou na segunda-feira o fim do embargo da venda de armas ao Vietnã, uma decisão que representa a "completa normalização" das relações entre dois antigos países inimigos.

Obama se reunirá hoje com representantes da sociedade civil antes de pronunciar um discurso dirigido à população vietnamita e de voar para Ho Chi Minh, onde manterá encontros com empresários. Ele terminará sua visita na quarta-feira, com a inauguração de uma universidade americana. /EFE e Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.