Anistia Internacional denuncia tortura no sul da Tailândia

A polícia e o Exército tailandeses tem como costume torturar supostos insurgentes islâmicos no extremo sul do país, utilizando métodos como o espancamento, choques elétricos e simulação de sufocação, informou a Anistia Internacional na terça-feira. Ao menos quatro pessoas morreram vítimas de tortura no sul do país, região que abriga províncias de maioria muçulmana e foi palco de uma rebelião separatista que durou cinco anos e deixou 3.500 pessoas mortas, afirmou um relatório do grupo com sede em Londres. "Os insurgentes no sul da Tailândia foram responsáveis por atos brutais, mas nada justifica o uso da tortura pelas forças de segurança", disse Donna Guest, vice-diretora da Anistia Internacional para a Ásia. "A tortura é absolutamente ilegal e, como a situação no sul da Tailândia comprova, aliena a população local", acrescentou. O grupo disse que o governo e os chefes das Forças Armadas em Bangcoc já lançaram diversas medidas antitortura, mas o abuso continua "difundido e frequente o bastante para ser classificado como obra de poucos subordinados problemáticos, em instâncias isoladas". O Ministério das Relações Exteriores informou que havia acabado de receber o relatório da Anistia Internacional, portanto não o havia analisado de maneira aprofundada. "Se houver quaisquer incidentes questionáveis, vamos nos consultar com as agências responsáveis para analisar a questão", disse o porta-voz Thani Thongpajkdi. O relatório detalha os casos de 34 muçulmanos detidos pela polícia e pelo Exército na região, de março de 2007 a maio de 2008. Uma das vítimas relatou ter sido coberta de carvão até o pescoço, enquanto outra foi obrigada a enfiar seu rosto no esgoto antes de ter um saco plástico colocado em sua cabeça.

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