Anistia Internacional pede fim da pena de morte na China

A Anistia Internacional (AI) manifestou satisfação com a reforma legal adotada na China, que pretende reduzir o número de penas de morte no país, mas pediu às autoridades chinesas a abolição total das execuções "de uma vez por todas". Em comunicado enviado à EFE, a AI reconheceu que a reforma do sistema penal, aprovada na terça-feira, pode reduzir o número de execuções na China, mas pediu mais avanços. "A nova legislação possivelmente ajudará a melhorar a qualidade dos julgamentos", disse no comunicado um dos principais dirigentes da AI para a região Ásia-Pacífico, Purna Sen. No entanto, Sen observou que "há um risco de que a reforma legal fortaleça o sistema de penas de morte na China, se não for acompanhada por outras medidas como uma transparência completa no uso da pena capital e uma redução no número de crimes que podem ser punidos com ela, que atualmente é 68". A organização teme que, mesmo com a nova lei, os réus "tenham poucas possibilidades de um processo justo e de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos". Segundo a AI, na China faltam direitos como o acesso adequado dos advogados a seus defendidos e a presunção de inocência. O órgão também critica interferências da polícia na Justiça e o uso de declarações obtidas mediante tortura como provas. A organização também pediu à China que revele os números reais de penas de morte e execuções. Segundo alguns analistas, podem ser de 8 mil a 10 mil por ano. Em 2005, os dados oficiais citavam 1.770 execuções. Segundo os números incompletos da AI, dois terços das execuções em todo o mundo em 2005 aconteceram na China. Em outros anos, a porcentagem chegou a 90%. Pela medida aprovada na terça-feira, o Tribunal Popular Supremo (TPS), instituição judicial máxima da China, deverá ratificar todas as sentenças de tribunais inferiores, sem exceção. A medida entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2007. Segundo o presidente do TPS, Xiao Yang, "é um importante procedimento para evitar sentenças erradas". Segundo ativistas chineses contra a pena de morte, a reforma pode reduzir o número de execuções na China em 20%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.