St-Felix Evens/Reuters
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Anistia Internacional pede que Haiti leve Baby Doc à Justiça

Ex-ditador volta ao país; ONG diz que ele deve ser julgado por abusos de direitos humanos

Efe

17 de janeiro de 2011 | 12h01

LONDRES -  A ONG Anistia Internacional pediu nesta segunda-feira, 17, ao governo do Haiti que coloque o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, à disposição da Justiça, um dia depois de voltar ao país que governou de 1971 a 1986. Segundo a organização, ele deve responder pelos abusos de direitos humanos cometidos durante seu regime.

 

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"As sistemáticas e generalizadas violações dos direitos humanos cometidas no Haiti durante o regime de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de processá-lo", disse Javier Zuñiga, assessor especial da Anistia.

 

Baby Doc chegou a Porto Príncipe em um voo da Air France proveniente de Paris. Ele foi recebido por uma multidão de haitianos e acolhido na sala diplomática do aeroporto, de acordo com informações da imprensa local.

 

Quase 25 anos depois de se exilar na França, a Anistia considera ser necessário que a Justiça haitiana atue pelos milhares de pessoas que foram torturadas e executadas ou desapareceram durante o regime ditatorial no país caribenho.

 

"As autoridades haitianas devem romper o ciclo de impunidade que prevaleceu durante décadas no Haiti", disse Zuñiga em comunicado, acrescentando que a falta de Justiça "só resultará em novos abusos de direitos humanos".

 

Segundo a Justiça haitiana, Baby Doc desviou mais de US$ 100 milhões de obras sociais. Jean Claude substituiu seu pai, François Duvalier, o Papa Doc, em 1971, aos 19 anos, com o cargo de presidente vitalício. Durante seu governo, Baby Doc perseguiu, torturou e matou opositores. Os Tonton Macoute, a polícia armada do governo, aterrorizaram a população por anos.

 

Baby Doc deixou o Haiti em 1986 em um avião da Força Aérea americana. Países como Espanha, Suíça, Grécia, Marrocos e Gabão se recusaram a recebê-lo. A França o fez de modo temporário para "livrar o Haiti da ditadura". Desde então, ele vive em uma mansão na costa do Mediterrâneo. Ao chegar no Haiti, ele disse ter voltado "para ajudar".

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