Anistia Internacional quer que Brasil diga não aos EUA no TPI

A comunidade internacional está preocupada com o silêncio do Brasil em relação à pressão dos Estados Unidos sobre o País. A Casa Branca quer que o Itamaraty assine um acordo que garanta a imunidade dos soldados e cidadãos norte-americanos perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) mas, até agora, o Brasil não deu qualquer indicação da posição que irá tomar.Segundo relevou a AE em matéria divulgada na última quarta-feira, Washington está pedindo que Brasília assine um pacto no qual garante que não levará norte-americanos para serem julgados pelo TPI. Tanto a embaixada dos Estados Unidos em Brasília como o Itamaraty confirmaram que o tema está sendo debatido."O Brasil precisa dizer, publicamente e de forma urgente, que é contra o pacto com os Estados Unidos. Caso contrário, a pressão da Casa Branca na América Latina ganhará força", afirmou à AE organização não-governamental Anistia Internacional (AI), que lembra que todos os governos latino-americanos receberam o pedido similares dos Estados Unidos. Países como a Suíça, Noruega e Holanda se apressaram em declarar que não aceitam assinar acordos que dê imunidade aos soldados norte-americanos. Até agora, apenas Israel, Romênia, Timor Leste e Tajiquistão assinaram o pacto.Diante da influência do Brasil na região, ativistas e governos que são contrários ao pacto defendem que o governo dê sinais claros de que não irá ceder à pressão da Casa Branca. "O Brasil é um país chave na América do Sul e sua posição é importante para o futuro do TPI", afirmou um diplomata europeu.Até mesmo a Argentina, que está sendo fortemente presssionada a assinar o pacto de imunidade, declarou que não deverá seguir o caminho desejado pelos norte-americanos. Mas para diplomatas doMercosul, se o Brasil não der um sinal sobre sua posição, toda aregião, inclusive a Argentina, poderá acabar cedendo. "O Brasilnão pode esperar até o próximo governo para decidir o que vaifazer", defende um representante de um país sul-americano, surpreendido com a demora do Itamaraty em dar um parecer.Para outro funcionário da região, o Brasil é o único que pode montar uma frente na América do Sul contra a proposta dos Estados Unidos.Por enquanto, a Colômbia é o país latino-americano mais pertode assinar o acordo com os Estados Unidos. A Casa Branca ameaça interromper sua ajuda militar ao governo de Bogotá para lutarcontra a guerrilha se os colombianos não concordarem em dar a imunidade.

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