Anistia pede que EUA fechem Guantánamo

A Anistia Internacional pediu que o governo dos Estados Unidos feche a prisão americana de Guantánamo, em Cuba, e abra os demais centros de detenção americanos a uma inspeção independente. O pedido foi feito em um relatório, divulgado nesta segunda-feira, intitulado Guantánamo: Lives torn apart - The impact of indefinite detention on detainees and their families (em tradução livre, Guantánamo: Vidas despedaçadas - O impacto da prisão por tempo indefinido em detentos e seus familiares).A ONG quer que as autoridades americanas publiquem uma lista de todos os prisioneiros que estão no centro de detenção de Cuba, que libertem ou julguem os detentos e que investiguem todas as alegações de tortura e de maus-tratos. Quinhentos homens de cerca de 35 nacionalidades estão presos em Guantánamo em uma "vida de sofrimento, tormento e estigmatização", como descreve a Anistia Internacional. A maioria deles foi detida durante o conflito no Afeganistão, que ocorreu depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.DireitosSegundo a Anistia Internacional, "dezenas de detentos estão, atualmente, fazendo greve de fome e houve várias tentativas de suicídio". "Para os detentos e suas famílias, Guantánamo continua a ser uma realidade cruel", disse Susan Lee, diretora da Anistia Internacional para a América do Norte. Alguns prisioneiros estão em Guantánamo há mais de quatro anos sem que tenham sido acusados formalmente. É o caso do libanês Omar Deghayes, que morava na Grã-Bretanha desde os 10 anos de idade. A sua irmã Amani Deghayes disse em uma entrevista à BBC que não tem certeza sobre o motivo da prisão de Omar, mas que acredita que ele tenha sido identificado, por engano, em um vídeo de treinamento de militantes chechenos.A falta de informação entre os familiares sobre os detentos de Guantánamo é um problema corrente, de acordo com a Anistia Internacional. "Algumas famílias, que sabem que seus parentes estão ou estiveram detidos pelos Estados Unidos, receberam pouca ou nenhuma informação de Guantánamo. Alguns não sabem onde eles estão ou mesmo se estão vivos", diz o texto.O documento também observa que os ex-prisioneiros sofrem de problemas psicológicos e físicos, além do preconceito. "O estigma de terem sido chamados de ´combatentes inimigos´ e ´pior dos piores´ pelo presidente americano, George W. Bush, ficará com eles pelo resto de suas vidas", diz o relatório da ONG.Nina Odizheva, mãe do russo Ruslan Odizhev, ex-detento de Guantánamo, descreveu como a prisão o afetou: "Ele mudou, está completamente doente, vivendo sob medicamentos. Ele tenta não mostrar ou contar detalhes. Ele não tem apetite. É uma pessoa diferente agora".

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