Anistia pede que EUA suspendam ajuda militar à Colômbia

A organização Anistia Internacional pediu hoje aos Estados Unidos que suspendam a ajuda militar à Colômbia até que o país contenha um aumento nas mortes de civis cometidas por agentes de segurança. Em um relatório de 94 páginas, a entidade faz também outras recomendações para o fim do prolongado conflito armado colombiano e contesta as afirmações do presidente Álvaro Uribe de que a Colômbia assiste ao ressurgimento irreversível da paz. Segundo Uribe, há uma forte queda no nível de violência no país.A Anistia Internacional reconhece que os seqüestros e as mortes de civis relacionados ao conflito diminuíram desde Uribe assumir, em 2002. Além disso, a entidade aponta que algumas cidades são mais seguras, mas sustenta que isso é apenas parte da questão."A Colômbia ainda é um país onde milhões de civis, sobretudo fora das grandes cidades e no interior, seguem suportando a pior parte deste conflito violento e prolongado", afirma o relatório. "A impunidade segue sendo a norma na maioria dos casos de abusos dos direitos humanos."A diretora da organização não governamental para as Américas, Renata Rendón, disse, em Washington, que vários indicadores alarmantes devem piorar. "As mortes relacionadas ao conflito, as execuções extrajudiciais, a morte de civis por paramilitares e por guerrilhas, as desaparições forçadas de mulheres e as mortes de sindicalistas aumentaram entre 2006 e 2007", notou.Renata apontou que é preciso lembrar desses dados, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pressiona o Congresso para aprovar um tratado de livre comércio com a Colômbia. A direção do Partido Democrata rechaça o acordo apontando, entre outros temas, os assassinatos de líderes sindicalistas. A Colômbia é o principal aliado de Washington na América Latina. O país já recebeu US$ 4 bilhões dos EUA desde a chegada de Uribe ao poder, a maioria em assistência militar.O relatório denuncia ainda fortes evidências de que os paramilitares seguem atuando em pontos do país. O governo colombiano afirma que um programa de desmobilização desmantelou essas milícias ultradireitistas. O texto afirma ainda que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) realizaram "alianças estratégicas" com paramilitares, para controlar melhor sua principal fonte de financiamento: o tráfico de cocaína.O relatório, fruto de dois anos de pesquisas, chegou aos seguintes dados sobre o conflito na Colômbia: mais de 70 mil mortes, em sua maioria de civis; entre 15 mil e 30 mil vítimas de desaparições forçadas; entre três e quatro milhões de pessoas tiveram que fugir de suas casas por causa da violência; na última década, mais de 20 mil pessoas seqüestradas ou tomadas como reféns.

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