Aniversário da captura de Shalit mobiliza Israel

França, ONGs e israelenses condenam Hamas pelo 4º ano de cativeiro do soldado; grupo radical palestino alerta contra tentativa de resgate

Ap, JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

O cabo israelense Gilad Shalit completou ontem quatro anos de cativeiro, sob fortes protestos de Israel, governos ocidentais e organizações humanitárias. Shalit foi capturado pelo Hamas em 2006 e acresita-se que esteja na Faixa de Gaza. O grupo palestino, porém, não permite que autoridades internacionais tenham acesso ao prisioneiro, nem que ele mantenha qualquer tipo de contato com sua família.

O pai de Shalit, Noam, protestou contra "o fracasso do governo israelense". "Passaram-se quatro anos, dois premiês e dois chefes do Estado-Maior, e fracassaram em libertar Gilad", afirmou o pai do soldado.

A ONG Human Rights Watch exortou o Hamas a parar com o "tratamento inumano e cruel" imposto ao cabo israelense, hoje com 23 anos. "As autoridades do Hamas estão violando as leis da guerra ao impedir que Shalit se corresponda por carta com sua família", acusou o grupo, em comunicado.

Em Haifa, israelenses soltaram milhares de balões amarelos em protesto contra a situação do militar. A família Shalit fez uma marcha de sua casa, no norte de Israel, até a residência oficial do primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu, em Jerusalém, exigindo novas medidas para libertar o cabo.

O Hamas alertou Israel a não tentar resgatar, pela força, Shalit. "Nos últimos quatro anos, a resistência conseguiu superar as várias táticas da ocupação, mantendo Shalit no cativeiro", disse Abu Mujahed, porta-voz das Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço armado do Hamas.

"Se eles (os israelenses) lançarem uma nova agressão em Gaza e continuarem com sua teimosia, o destino de Shalit será similar ao de Ron Arad", completou Mujahed, em referência ao piloto israelense morto após oito anos de cativeiro no Líbano.

Franco-israelense. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também criticou "a total falta de humanidade" do Hamas. Além da israelense, Shalit tem ainda cidadania francesa. "Esse tratamento ignora os princípios universalmente reconhecidos para os prisioneiros, começando pelo direito de visita do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)", disse Sarkozy. O presidente francês também enviou uma carta ao pai do cabo israelense.

Shalit foi capturado em uma operação conjunta do Hamas e do grupo Jihad Islâmica perto de Gaza. Na ocasião, ele tinha 19 anos. A ação dos militantes palestinos ganhou adesão do Hezbollah, que atacou pouco depois militares israelenses no norte, perto da fronteira com o Líbano.

Israel decidiu responder escalando a violência e lançou uma ampla ofensiva, mas foi incapaz de atingir seu ambicioso objetivo: "varrer" o Hezbollah do Líbano.

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