Daniel Cole / AP
Daniel Cole / AP

Aniversário de 1 ano dos ‘coletes amarelos’ é marcado por atos violentos e detenções

Centenas de manifestantes se reuniram em diversos pontos da capital francesa; grupos violentos se infiltraram e enfrentaram as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo e jatos de água

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 13h55

PARIS - Enfraquecido, mas ainda vivo, o movimento popular dos "coletes amarelos" franceses, que surgiu há exatamente um ano, mobilizou neste sábado, 16, milhares de pessoas no país, sobretudo em Paris, onde foram registrados atos violentos e detenções.

Centenas de manifestantes se reuniram em diversos pontos da capital francesa. Em algumas áreas, grupos violentos se infiltraram nos protestos, enfrentaram as forças de segurança, jogaram tijolos, incendiaram latas de lixo e viraram veículos.

A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar a multidão, que se refugiou em cafés e lojas próximas. Ao menos 60 pessoas foram detidas, informou o chefe de polícia da capital, Didier Lallement.

"Não vamos recuar. Continuamos aqui, embora (o presidente Emmanuel) Macron não queira, continuamos aqui", gritaram alguns manifestantes, em tom de desafio, na Place d'Italie, ao sul da cidade.

"Seguimos mobilizados porque queremos um futuro melhor para nós e nossos filhos. A situação na França está cada vez pior", disse Rémi, um funcionário público de 39 anos, que preferiu não revelar o sobrenome.

1 ano de protestos

No dia 17 de novembro de 2018, mais de 300 mil pessoas, a maioria vestidas com o colete amarelo fluorescente que os motoristas deixam em seus veículos para usar em caso de acidente, saíram às ruas da França para marchar contra um imposto sobre o combustível.

Em pouco tempo, o movimento sem líderes ou estrutura, organizado pelas redes sociais, colocou em xeque o governo de Macron, revelando o profundo descontentamento nas classes mais modestas pela perda do poder aquisitivo, aumento dos impostos e desigualdades sociais.

No primeiro aniversário do movimento, os coletes amarelos desejam dar um novo estímulo aos protestos, porque para muitas pessoas as causas que levaram à mobilização não desapareceram.

As autoridades francesas proibiram manifestações em Champs-Élysées, cenário de violentos distúrbios no auge das manifestações de 2018. O protesto em Place d'Italie, que pretendia chegar ao centro de Paris e estava autorizado, foi cancelado pelo governo após os confrontos.

Segurança

Em Paris, os comerciantes protegeram suas vitrines e mercadorias por medo de incidentes violentos. Os transportes públicos foram prejudicados pelas manifestações e os bombeiros precisaram atuar em vários pontos da capital.

No auge da crise, em dezembro de 2018, Macron, que desistiu da taxa sobre o combustível que provocou a explosão dos protestos, afirmou que entendia a revolta das ruas e se declarou disposto a "transformar o país". / AFP

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