Aniversário de golpe no Chile acaba com um morto e 90 feridos

Um morto, 90 feridos - entre eles duas meninas vítimas de balas perdidas -, 237 detidos e danos materiais não quantificados foram o saldo dos distúrbios desatados na terça-feira e na madrugada desta quarta-feira no Chile por ocasião dos 33 anos do golpe militar no país.O subsecretário do Interior, Felipe Harboe, disse que, entre os feridos, há 79 carabineiros (Policia Militar). Ainda segundo ele, os detidos são "delinqüentes", sobre os quais, ressaltou à "Rádio Cooperativa", "todo o rigor da lei cairá".A pessoa que morreu foi identificada como Mario Sandoval Mancilla, de 24 anos. O jovem foi atingido por tiros disparados por desconhecidos de um carro em movimento enquanto participava de um protesto no município de El Bosque, no zona sul de Santiago.Entre os feridos, o caso mais grave é o da menor Tiare Fernanda Araya Bulboa, de 6 anos, que foi atingida por um tiro na cabeça quando estava no interior de sua casa, na bairro de Puente Alto, 20 quilômetros ao sudeste do centro de Santiago.A menina foi operada nesta quarta-feira em uma clínica de Santiago e teve a bala extraída, mas continua correndo risco de morte, disseram fontes hospitalares.Outra menor, de 17 anos, recebeu um tiro no braço esquerdo quando estava em sua casa em La Pincoya, no município de Huechuraba, ao norte da capital chilena.Em Santiago, os distúrbios mais violentos, com barricadas incendiárias, cortes de energia e confrontos entre manifestantes e a Polícia, foram registrados nos bairros operários de Peñalolén, Huechuraba, San Bernardo, El Bosque, La Pintana, Puente Alto e Estación Central, disse Harboe.Do total de detidos, 150 são de Santiago e os outros 87 pertencem a cidades de províncias nas quais também aconteceram desordens.Vários estabelecimentos comerciais foram saqueados na capital do país, entre eles um supermercado, uma perfumaria e um açougue. Uma agência bancária e o Juizado da Polícia local do município de Huechuraba foram destruídos, ao passo que um colégio do município de San Ramón sofreu diversos danos ao ser incendiado.O coronel da Carabineiros Gastón Santana chamou a atenção para o "alto poder de fogo" dos manifestantes em Villa Francia, no barrio da Estación Central.Além dos protestos, ontem à noite aconteceram vigílias pacíficas no Estádio Nacional, no Estádio Víctor Jara e em outros antigos campos de tortura e prisões da ditadura (1973-1990), atos nos quais estiveram presentes ex-presos políticos e familiares das vítimas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.