Ann Romney é chave para mudar imagem do marido

Discurso da mulher do candidato republicano tenta humanizá-lo e tirar dele a imagem de empresário rico

TAMPA, EUA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h00

O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, não será mais o mesmo depois da convenção de seu partido, dizem os estrategistas de sua campanha, ansiosos para desmontar a imagem de "empresário rico e ultraconservador de última hora" pregada pelo rival, o presidente Barack Obama. O novo Romney será uma versão mais humana, dizem seus aliados.

A tarefa de desconstruir o ex-governador de Massachusetts e de moldar um candidato de carne e osso coube a Ann, com quem Romney está casado há 43 anos. Seu discurso foi o segundo mais importante da convenção, superando até mesmo o do vice, o deputado Paul Ryan. Para ouvi-la, ontem, o candidato antecipou sua chegada a Tampa.

No discurso, realizado ontem, Ann recontou sua vida ao lado de Romney, com quem teve cinco filhos e 18 netos. "Esse é o homem que a América precisa", disse. "Podemos confiar em Mitt. Ele não deixará o país na mão." No fim, ao som da canção My Girl, o casal acenou para a multidão e deixou o palco.

Hoje e amanhã, outras pessoas próximas a Romney tentarão expressar como ele liderou pessoas e tomou decisões importantes em vários momentos da vida. "Humanizar Romney é realmente importante. O eleitor precisa captar uma imagem visual diferente da que tem sido apresentada", afirmou Whit Ayres, presidente do instituto de opinião North Star.

"Ele não é visto como um político típico de Washington, o que ajuda muito. Romney entende para onde queremos ir, inspira as pessoas, tem curiosidade intelectual, procura a melhor forma de resolver os problemas e é famoso por tomar decisões", disse seu conselheiro de campanha, Ron Kaufman.

Embora Ayres insista que os eleitores consideram Romney um autêntico conservador, nos meios políticos ele é visto como um republicano de centro pressionado pelo Tea Party a dar uma guinada para a direita radical. Kaufman vai além e diz ser o candidato um "autêntico" membro da ultradireita. "Romney é do Tea Party."

O candidato, no entanto, não se mostra confortável com a mudança de sua imagem. "Sou o que sou", vem repetindo em comícios e entrevistas. Seus estrategistas, porém, discordam e pretendem usar a convenção para "reapresentá-lo" ao povo americano. / D.C.M.

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