Annan adverte que divisões ameaçam comunidade internacional

O secretário-geral da ONU, KofiAnnan, advertiu nesta terça-feira que as divisões que o mundo enfrenta representauma ameaça à comunidade internacional e às bases institucionaissobre as quais se assenta. "Os eventos dos últimos 10 anos não apenas não se resolveram, masacentuaram os três grandes desafios que enfrentavam: um mundo comuma economia injusta, a desordem e o amplo desprezo pelos direitoshumanos e o respeito da lei", disse Annan. Em seu último discurso na Assembléia Geral, já que em 31 dedezembro termina seu mandato, o secretário-geral da ONU disse que oresultado desses problemas "é um mundo no qual as divisões ameaçam oconceito de comunidade internacional, sobre o qual se baseiam asInstituições". "Estou convencido de que a solução para este mundo dividido é umaverdadeira Organização das Nações Unidas", afirmou Annan, emdiscurso no qual avaliou a situação do mundo desde que assumiu pelaprimeira vez, em 1997, o cargo máximo da instituição internacional. O secretário-geral falou sobre a luta contra a pobreza, o combateà aids, as mudanças climáticas, o terrorismo, a violência e a faltade respeito aos direitos humanos, ameaças que, segundo ele, aindapersistem no mundo. Além disso, assinalou que a globalização econômica avança e queembora alguns países em desenvolvimento, especialmente da Ásia, sebeneficiem disso, "milhões de habitantes ainda sofrem com aPobreza". "Não nos enganemos. O milagre asiático ainda tem que serreproduzido em outras partes do mundo. Mesmo nos países asiáticosmais dinâmicos, os lucros estão longe de serem divididos", afirmou osecretário-geral da ONU. Annan disse considerar "improvável" o cumprimento dos Objetivosdo Milênio da ONU, estipulados para combater a pobreza e melhorarsetores como saúde e educação até 2015. "A aliança global para o desenvolvimento ainda é mais uma frasedo que um fato", afirmou Annan, que reconheceu, no entanto,progressos no alívio da dívida dos países mais pobres. O secretário-geral afirmou que alguns dos conflitos que assolavamseu continente natal, África, tiveram fim, mas indicou que "emmuitas partes do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento,o povo ainda está exposto a conflitos brutais". "Pessoas de todas as partes do mundo estão ameaçadas. É umavergonha que durante a última Cúpula Mundial da ONU, em 2005, não setenha dito uma única palavra sobre o desarmamento e anão-proliferação de armas de fogo", criticou. Outro tema abordado em seu discurso foi a luta contra oterrorismo. "Muitos dos que estatisticamente deveriam sentir-se seguros, nãoo estão. Devemos isso ao terrorismo, que mata e fere relativamentepouca gente em comparação com outros métodos de violência, masdifunde o medo e a insegurança entre muitos", afirmou. Annan se referiu por último à situação de extrema violência emDarfur (Sudão) e no Oriente Médio Sobre este último conflito, pediuao Conselho de Segurança que ponha fim à ocupação israelense nosterritórios palestinos, e faça cumprir as resoluções da ONU.

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