Annan: "Chegamos a um momento de extrema gravidade"

Em uma reunião urgente com o Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, reiterou seu pedido por cessar-fogo urgente entre Israel e o Hezbollah. Ele condenou o bombardeio israelense que matou dezenas de civis. "Estou profundamente consternado", afirmou.O secretário-geral convocou para este domingo uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU para analisar os últimos acontecimentos no Oriente médio, uma vez que o número de mortos chega agora a mais de 500.Annan afirmou que o conselho tem responsabilidade para solicitar um fim da violência. "Nós chegamos a um momento de extrema gravidade, primeiro e sobretudo com o povo do Oriente Médio mas também pela autoridade desta organização e especialmente deste conselho", disse. "Uma ação é necessária agora antes que mais crianças, mulheres e homens se transformem em vítimas do conflito que eles não têm controle".Em um discurso incomum e franco, Annan manifestou o risco que o conselho corre de minar sua autoridade se não tomar uma atitude. Annan lembrou que isso ficou claro após a depredação da sede da ONU em Beirute neste domingo. "O povo notou sua falência em agir firmemente e rápido durante a crise", completou.O enviado especial do Líbano, Nouhad Mahoud, também criticou o conselho por falta de ação e disse que Israel estava cometendo crimes de guerra. "Israel está cometendo atrocidades contra a humanidade", afirmou. O embaixador de Israel, Dan Gillerman, chamou de "horrível, triste e sangrento domingo". Enquanto se desculpava pelo ataque a Qana, ele disse que não havia comparação entre Hezbollah, que intencionalmente mirou em civis israelenses e libaneses como escudo humano, e Israel, que tentava evitar vítimas civis."Aquelas pessoas, incluindo mulheres e crianças foram mortas numa terrível tragédia. Talvez elas foram mortas por Israel mas elas são vítimas do Hezbollah. Elas são vítimas do terror. Se não houvesse o Hezbollah, isso nunca teria acontecido", disse Gillerman.O embaixador israelense voltou a pedir que o Hezbollah fosse desarmado antes que o cessar-fogo ocorra. Caso contrário, o Hezbollah ressurgirá de novo. "Não só contra nós ou contra o povo libanês, mas contra toda a região e a civilização que nós conhecemos", concluiu.Últimos acontecimentosO primeiro-ministro do Líbano disse que seu país não conversará com os americanos sem um cessar-fogo incondicional. Condoleeza Rice, Secretária de Estado Americana, está em Israel em conversas com líderes do país para um possível acordo. Ela deve retornar aos Estados Unidos na segunda-feira para trabalhar por uma resolução junto ao Conselho de Segurança.O míssil foi lançado por volta da 1h (horário local)e atingiu um abrigo de refugiados. Duas famílias, os Shalhoubs e os Hashims, morreram. Das vítimas, 34 eram crianças.Em Beirute, mais de 5 mil manifestantes depredaram a sede da ONU no país após o ataque em Qana.O primeiro-ministro de Israel disse não ter "pressa" para declarar cessar-fogo e que ainda precisaria de mais 10 ou 14 dias para finalizar a ofensiva.CondenaçãoPaíses do Norte da África também manifestaram sua condenação ao ataque de Qana, no Líbano. A Argélia chamou o bombardeio de "ato criminoso", a Tunísia de "massacre horrível" e o Marrocos pediu uma grande ação da ONU para encerrar o conflito.Os três países islâmicos estiveram do lado do Líbano no conflito. Atualizada às 13h43

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.