Annan convoca reunião de emergência sobre Síria

Encontro no sábado em Genebra reunirá potências mundiais para tentar chegar a um acordo sobre 'medidas concretas' para conter a violência no país

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h02

O mediador da ONU na Síria, Kofi Annan, convocou potências para uma cúpula de emergência no sábado em Genebra em razão do que já seria uma guerra civil no país. O encontro tem como objetivo chegar a um acordo sobre "medidas concretas" para conter a violência e lançar um novo plano de "transição política definitiva" em Damasco.

Segundo diplomatas próximos a Annan, o encontro entre o Conselho de Segurança, a Liga Árabe, o Iraque e a Turquia promete ser a "última chance" para impor uma solução política, antes que o conflito saia de controle.

Ontem, o governo sírio abandonou uma reunião na ONU em que o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro denunciou crimes cometidos pelo regime de Bashar Assad. Pinheiro alertou que o confronto está em uma situação mais grave que antes do anúncio do cessar-fogo, em abril. Damasco indicou que poderia romper o diálogo diplomático.

Segundo Annan, responsável por convocar a reunião de sábado, o encontro tem como meta traçar um caminho para a transição política na Síria. O rascunho de seu novo plano, obtido pelo Estado, prevê a formação de um governo de união nacional composto num primeiro momento por membros do regime de Assad e da oposição. A transição será completada com a adoção de uma nova Carta e a convocação de eleições. Para muitos, o encontro é o reconhecimento de que o plano de paz estabelecido há três meses fracassou.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou ontem esperar que a reunião seja um "ponto de virada" no conflito. "Annan desenvolveu seu plano para a transição política e circulou para que governos comentassem. Nós apoiamos o plano", disse Hillary.

Armas. Durante o encontro também serão debatidas medidas concretas para tentar impor um cessar-fogo, algo que até hoje não foi obtido pela via negociada entre oposição e Damasco. Assad havia se comprometido em respeitar a trégua. Mas, segundo a investigação de Pinheiro, o que ocorreu na Síria foi a transformação do conflito em praticamente uma guerra civil desde então.

O capítulo 7.º da ONU prevê o uso da força por potências caso haja uma ameaça para a paz mundial. A ideia é a de que se o cessar-fogo não pode ser implementado por um comum acordo entre rebeldes e governo sírio, ele deve ser imposto.

"Países precisam chegar a um acordo sobre os princípios e passos para uma transição democrática na Síria, assim como a forma de colocar fim à repressão", disse Bernard Valero, porta-voz do governo francês. Enquanto não há um acordo entre as potências, Pinheiro apresentou à ONU o resultado de sua investigação que aponta o governo sírio como o responsável pelo massacre de Hula e ainda denuncia uma longa lista de crimes cometidos por Damasco depois que Assad aceitou o cessar-fogo negociado por Annan em abril. Mas a resposta de Damasco foi clara: o país está em uma "genuína guerra", o que seria uma justificativa para as operações.

Faisal Hamwi, embaixador sírio na ONU, acusou Pinheiro de publicar "mentiras fantásticas" e elaborar um relatório "tendencioso", abandonando em seguida a sala do Conselho de Direitos Humanos.

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