Annan debaterá programa nuclear iraniano em reunião com Bush

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, tem uma reunião prevista para amanhã com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para abordar temas considerados sensíveis como a crise provocada pelo programa nuclear do Irã, a situação no Sudão e no Oriente Médio e a reforma da ONU. Annan, que diz que mantém contato por telefone com Bush com freqüência, e que em seu mandato já visitou em três ocasiões a Casa Branca, foi quem solicitou o encontro bilateral, a quarta entre os dois líderes em Washington.Na capital americana, Annan tem previsto um almoço com a secretária de Estado, Condoleezza Rice, em uma reunião prévia ao encontro com Bush. Também estão agendadas outras reuniões com representantes do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano. Na pauta dos encontros, ganha destaque a crise nuclear iraniana, especialmente depois de Annan ter se mostrado a favor do esgotamento de vias diplomáticas para que o conflito fosse resolvido. O secretário-geral da ONU quer colocar ponto final na polêmica antes da adoção de possíveis sanções contra o Irã, que reatou seu programa de enriquecimento de urânio, por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS). Apesar de os EUA considerarem ainda que os esforços diplomáticos devem continuar, o Governo do país não descarta a possibilidade de impor algum tipo de medida coercitiva contra o regime iraniano caso este não suspenda de imediato suas atividades nucleares.Na pauta, HamasOutro tema a ser discutido será a vitória do movimento islâmico Hamas nas recentes eleições palestinas, já que a ONU e EUA integram, ao lado da União Européia e da Rússia, o grupo que elaborou o plano de paz conhecido como "Mapa de Caminho", que tem como objetivo tentar solucionar o conflito no Oriente Médio.Annan se pronunciou a favor de conceder mais tempo ao Hamas para que se organize como partido político, mas ao mesmo tempo solicitou à organização que abandonasse as armas e reconhecesse o Estado de Israel. Em meios diplomáticos não se descarta que Annan e Bush revisem a oferta do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de manter negociações políticas em Moscou com os líderes do Hamas, proposta que conta com o apoio da França, mas que os EUA vêem com reticência.ChargesAnnan afirmou que não lhe surpreenderia que durante seu encontro com Bush fosse feita uma alusão à reação violenta no mundo muçulmano às charges sobre o profeta Maomé publicadas na Dinamarca e reproduzidas em veículos de vários países europeus. A controvérsia sobre as caricaturas foi motivo de discussão nas negociações que os 191 países da Assembléia Geral da ONU mantêm para a criação de um Conselho de Direitos Humanos que substitua a desprestigiada Comissão de Genebra.A Organização da Conferência Islâmica (OIC), que compreende 57 países muçulmanos, pediu que no documento de criação desse novo órgão da ONU seja introduzido um parágrafo dedicado à "blasfêmia", em resposta à publicação das charges. No entanto, fontes diplomáticas declararam que nem a ONU nem os países ocidentais parecem estar preocupados com o trabalho de incluir nos estatutos do novo Conselho o respeito à religião, que já está amparado na Declaração dos Direitos Humanos.Além da criação deste novo órgão, também será abordada a reforma administrativa da ONU, um dos temas prioritários para os EUA e um assunto no qual a Casa Branca exerce forte pressão. Annan também irá a Washington com alguns pedidos, entre eles o de que os EUA se envolvam mais na solução do conflito na região de Darfur, no oeste do Sudão, onde seguem os ataques a civis e os confrontos entre as milícias governamentais e grupos rebeldes.Diante da perspectiva de que a missão da União Africana (UA) se transforme em um operacional de paz com a bandeira da ONU, Annan deve pedir a Bush soldados e equipamentos e, caso não seja atendido, deve solicitar apoio financeiro e recursos para os "capacetes azuis" (soldados das Nações Unidas) que podem ser deslocados à região.

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