Annan defende integração com o Irã para evitar o isolamento

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, acredita que "a comunidade internacional não deve isolar o Irã, e sim contar com ele", e espera que a crise nuclear seja resolvida através da negociação, segundo uma entrevista ao jornal espanhol "El País"."Devemos ser muito cuidadosos e evitar passos que levem a um enfrentamento" entre o Irã e a comunidade internacional, afirmou Anna,n ao ser perguntado se um excesso de pressão sobre o regime iraniano pode ser contraproducente.Annan, em viagem pelo Oriente Médio, lembrou em sua entrevista, durante uma escala em Doha, que o Conselho de Segurança, apesar de debater a possibilidade de adotar sanções contra o Irã, ainda não aprovou medida alguma."Não tenho certeza de que elas sejam aprovadas, devido à oposição da Rússia e da China", analisou Annan, para quem "o fundamental é evitar o enfrentamento numa questão que exige paciência e perseverança e cuja solução viável é a negociação".Após a sua recente visita a Teerã, Annan admitiu o peso do Islã no mundo e o aumento da influência iraniana na cena internacional. "A firmeza na questão nuclear conquistou apoios ao regime iraniano em muitos países", observou."Os iranianos garantem que não buscam armas nucleares, que suas intenções são pacíficas, e que têm direito ao conhecimento científico", disse Annan, mas "devem encontrar um modo de acalmar as inquietações do mundo" e garantir que estas são realmente suas intenções.O secretário-geral das Nações Unidas considera que o Irã deve desempenhar "um papel construtivo e eficaz" na região "para ajudar na sua estabilização". Ele espera, principalmente, receber a ajuda do regime iraniano nas tarefas de reconstrução no Líbano após a atuação israelense contra a guerrilha do Hezbollah."A percepção generalizada é de que o Irã dá dinheiro ao Hezbollah. Em minhas conversas, pedi aos iranianos que trabalhem com outros países na reconstrução. Aceitaram meu pedido, e essa atitude é de grande ajuda. A comunidade internacional deve contar com o Irã, e não optar pelo isolamento", acrescentou.Sobre a crise libanesa, Annan se disse "muito esperançoso"."Todos estão conscientes de que esta é uma oportunidade não só para estabilizar a situação no sul do Líbano, mas para buscar uma paz duradoura nos demais focos do conflito do Oriente Médio, como a Síria e os territórios palestinos".Annan negou ter "provas conclusivas" de que o Hezbollah receba armas da Síria. Mas concordou ser necessário "garantir que a fronteira seja segura"."O Líbano receberá da Alemanha ajuda técnica, formação e os equipamentos necessários" para controlar melhor sua fronteira com a Síria, segundo Annan. Ele revelou ainda que "o ministro de Relações Exteriores da Síria (Walid al-Muallem) anunciou que o presidente Bashar al-Assad decidiu enviar um batalhão para vigiar a fronteira".Annan terminará sua viagem na quinta-feira, 7, em Madri.

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