Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Annan e Putin acreditam ser possível salvar missão da ONU na Síria

Conselho de Segurança da ONU decide sexta-feira se missão de observadores no país árabe continua

estadão.com.br,

17 de julho de 2012 | 16h17

MOSCOU - O mediador internacional para a Síria, Kofi Annan, junto a dirigentes russos, defendeu nesta terça-feira, 17, que ainda é possível alcançar um compromisso diante do Conselho de Segurança da ONU, que, por sua vez, deve decidir até sexta se prorroga ou não a missão de observadores no país árabe.

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"Esperamos que os membros do Conselho de Segurança encontrem uma fórmula aceitável para todos", disse Annan, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, depois da reunião com o presidente Vladimir Putin. Annan disse esperar soluções para a situação da Síria. "Confio que o Conselho (de Segurança) emita uma mensagem clara de que os assassinatos devem terminar e que a situação no país é intolerável".

Lavrov, por sua vez, disse esperar um consenso por parte do Conselho. "Alcançamos um difícil consenso (na conferência de paz) em Genebra e não vejo razões para que não possamos alcançá-lo no Conselho de Segurança. Estamos dispostos a isso".

As consultas de Annan em Moscou coincidem com o agravamento dos confrontos entre as tropas do regime do presidente sírio, Bashar al Assad, e a oposição armada, no terceiro dia de confronto consecutivo. O enviado especial da ONU para a Síria declarou que é preciso concentrar-se "nas medidas que devem ser tomadas para pôr fim à violência e aos massacres" no país árabe.

A comunidade internacional debate se ameaça o presidente Sírio com sanções caso não seja cumprido o plano de paz proposto por Annan, proposta ocidental, ou se prorroga a missão internacional dos observadores da ONU, como propõe a Rússia.

Diante da crescente violência e do aumento do ceticismo por parte da oposição armada, dos países da região e das potências ocidentais, Annan chegou a Moscou nesta segunda para buscar apoio aos 300 observadores que estão em missão na Síria.

Os Estados Unidos e seus aliados apresentaram o projeto de resolução perante o Conselho de Segurança que inclui ameaças de sanções e, inclusive, intervenção externa da aplicação do artigo 7 da Carta das Nações Unidas, caso Damasco não atenda imediatamente os seis pontos do plano de paz proposto por Annan. Moscou, por outro lado, pede a prorrogação do mandato de paz e a ampliação das competências da missão da ONU, deixando claro que rejeita categoricamente qualquer alusão a sanções ao regime sírio.

A postura da Rússia também é compartilhada pela China e se traduzirá em um veto a qualquer resolução do Conselho de Segurança que contenha ameaças de sanções, ressaltou o embaixador russo junto à ONU, Vitaly Churkin. Vladimir Putin também afirmou que a Rússia fará de tudo para respaldar os esforços de Annan na busca de uma solução pacífica ao conflito. "Desde seus primeiros passos como enviado especial do secretário-geral da ONU e da Liga Árabe, apoiamos seus esforços para restabelecer a paz civil (na Síria)", disse.

Diante deste contexto, o mediador internacional ressaltou que sua visita a Moscou se produz em um momento no qual a Síria se encontra em "um ponto de inflexão, em uma encruzilhada". Há dois dias, os rebeldes lutam contra as tropas leais ao regime de Assad em diversos bairros da capital e, segundo a oposição, os confrontos armados chegaram inclusive a alguns setores do centro da cidade.

Durante o encontro de Annan com líderes russos, o ministro Lavrov expôs as propostas que Moscou levará a Nova York, onde o Conselho de Segurança decidirá sobre o futuro da missão de observadores na Síria. A Rússia deseja que a missão participe ativamente nos trabalhos de mediação no terreno para conseguir o fim dos combates. Desta forma, os observadores internacionais receberiam um mandato para negociar a cessação do fogo e a retirada simultânea das tropas.

Com Efe 

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