Annan: Negociações sobre crise iraniana devem continuar

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, declarou nesta quinta-feira que as negociações sobre a crise nuclear iraniana devem continuar, e que a opção das sanções ainda "está muito longe". Annan admitiu que o assunto será discutido no Conselho de Segurança, mas os esforços da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e as outras partes implicadas devem continuar. Perguntado sobre a possibilidade de os membros do Conselho decidirem impor sanções contra Teerã, Annan declarou que "estamos longe, muito longe disso". Os cinco membros permanentes do Conselho - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia - se reuniram em consultas privadas na quarta-feira pela primeira vez, para examinar os resultados da reunião do Conselho de Governadores da AIEA, em Viena. O embaixador dos EUA, John Bolton, informou que na reunião foram debatidos a resposta e os passos a seguir pelo Conselho perante "as contínuas violações" do Irã ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP)". Bolton, no entanto, evitou falar de uma possível declaração do Conselho para obrigar o Irã a suspender os programas de enriquecimento de urânio. O embaixador francês na ONU, Jean-Marc de La Sablière, sugeriu que o Conselho pode divulgar este documento na próxima semana, quando se reunir para debater o assunto. Mas ressaltou que os cinco membros permanentes concordam que as ações devem ser graduais. "Queremos que o Irã cesse as suas atividades nucleares. Portanto, a ação deve ser gradual e reversível se elas forem suspensas", anotou. China e Rússia se manifestaram em numerosas ocasiões contra a imposição de medidas punitivas, como sanções diplomáticas ou econômicas contra Teerã. O ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, reafirmou esta posição, após uma reunião ontem com Annan, ao dizer que "as sanções como instrumentos para resolver uma crise nunca alcançaram seu objetivo na história recente". O alto representante para a Política Externa da União Européia (UE), Javier Solana, não descarta o uso de sanções contra o Irã devido a seu polêmico programa nuclear, embora continue otimista sobre uma via diplomática. Em entrevista ao jornal austríaco Der Standard, Solana afirma que se está no início de uma nova fase, e que o Conselho de Segurança, em um primeiro passo, fará uma declaração para reforçar a autoridade da AIEA. Solana acredita ser possível uma regra diplomática, e diz que "nas negociações passadas, em Viena, estivemos muito perto de uma solução. Mas, no final, a questão do enriquecimento de urânio no Irã foi decisivo" para impedir um acordo

Agencia Estado,

09 Março 2006 | 17h59

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