Annan, no Irã, também quer falar de crise no Líbano

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse neste sábado em sua chegada a Teerã que sua visita ao Irã tem como objetivo a aplicação da resolução 1.701 do Conselho de Segurança, informou a agência local "Fars"."Vim falar sobre a colocação em prática da resolução 1.701 do Líbano", disse Annan, citado pela agência iraniana, no Hotel Esteghlal.A resolução 1.701, que possibilitou o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah após 34 dias de conflito, determina o posicionamento do Exército libanês e de capacetes azuis no sul do Líbano. Annan, que se mostrou satisfeito por ter voltado ao Irã, acrescentou que espera "negociar sobre os assuntos preocupantes da região", embora não tenha feito nenhuma referência explícita à questão do programa nuclear iraniano.No dia 31 de agosto, expirou o prazo dado pela ONU para que o Irã suspendesse seu programa de enriquecimento de urânio. No entanto, nos últimos três dias, o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu no direito do Irã de produzir energia nuclear.Por sua vez, a TV pública iraniana informou que o principal tema das conversas entre Annan e as autoridades iranianas será mesmo o polêmico programa nuclear.Washington acha que o Irã pretende usar tecnologia nuclear para fins bélicos. Já Teerã sustenta que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.ReuniãoA previsão é que Annan se reúna ainda neste sábado com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, e com o secretário do Conselho de Segurança Nacional do país, Ali Larijani, que também é o negociador-chefe na crise nuclear.Segundo os meios de comunicação, o secretário-geral da ONU se reunirá amanhã com o presidente Ahmadinejad e com o supremo líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.Annan iniciou uma viagem pela região para buscar apoio à aplicação da resolução 1.701. Antes de chegar a Teerã, o diplomata esteve no Líbano, nos territórios palestinos, em Israel, na Jordânia, na Síria e no Catar. Ceticismo quanto a sançõesO secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ainda se mostrou cético quanto à eficácia de sanções contra o Irã pela recusa desse país em suspender seu programa nuclear, como havia solicitado o Conselho de Segurança.A informação consta de entrevista publicada na edição deste sábado do jornal francês "Le Monde". Annan diz: "Não acho que as sanções sejam a solução para todos os problemas. Há momentos nos quais um pouco de paciência causa muitos efeitos. Acho que é uma qualidade que devemos exercer mais freqüentemente", respondeu Annan à pergunta sobre a vontade dos Estados Unidos de sancionar o Irã.Pouco antes de sua viagem para Teerã, Annan frisou a importância de ser encontrada "uma solução negociada" para a crise, que acontece em "uma região submetida a um grande estresse neste momento"."O importante para mim é fazer as coisas avançarem", disse o secretário-geral da ONU, que destacou que a crise encontra-se "em uma etapa crucial"."Vou discutir sobre o problema, mas não vou resolvê-lo", disse Annan.O secretário-geral pediu ao Irã que demonstre ao mundo inteiro, inclusive à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que quer ter "energia nuclear com fins pacíficos"."(As autoridades iranianas) Podem fazer isso com uma cooperação reforçada, deixando os inspetores terem acesso a todas as instalações, olharem onde quiserem, quando quiserem, para provar que não têm nada a esconder. Uma atitude assim permitiria avanços", afirmou.Quanto ao conflito no sul do Líbano, o secretário-geral disse que pedirá ao Irã que "trabalhe com a comunidade internacional para a colocação em prática da resolução 1.701" do Conselho de Segurança, que prevê, entre outras coisas, o desarmamento do Hezbollah.

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